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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sustentabilidade é, sim, saúde

 

Nosso bem-estar depende do uso consciente dos recursos naturais disponíveis e da preservação do meio ambiente. Entenda por que, hoje, ser sustentável é ser saudável — e vice-versa

André Biernath e Theo Ruprecht*
Revista Saúde - 03/2013

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Cada real gasto com saneamento básico poupa 4 reais em tratamentos médicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse dado já mostra o enorme impacto de espaços poluídos na qualidade de vida. Por outro lado, reforça que proteger o meio ambiente e prevenir doenças em vez de remediá-las é uma tática eficaz e econômica. "Devemos nos focar na promoção de saúde, e não apenas investir na assistência dos enfermos. Essa, aliás, é uma medida sustentável", assegura Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Isso faz sentido. Primeiro porque hospitais gastam muita energia e produzem lixo à beça para cuidar dos pacientes — o ideal, então, é incentivar práticas que mantenham a população saudável, reduzindo o número de idas a esses locais. "Segundo que a maioria das atitudes recomendadas para evitar diversos males, como andar menos de carro e mais a pé ou preferir alimentos naturais a industrializados, já diminui o nível de poluentes emitidos", observa Paulo Saldiva, patologista da Universidade de São Paulo (USP).


Confira nos infográficos indicados abaixo como ainda maltratamos a água, a terra e o ar e aprenda o que você pode fazer para preservar tanto os recursos naturais como a sua saúde.

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Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE

 

PEDRO JACOBI

RESUMO
A reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, cria uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que diz respeito a um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o envolvimento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. O desafio que se coloca é de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora em dois níveis: formal e não formal. Assim, ela deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva de ação holística que relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo
como referência que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua
degradação é o ser humano.

CIDADANIA – ECOLOGIA – EDUCAÇÃO AMBIENTAL

DESENVOLVIMENTO, MEIO AMBIENTE E PRÁTICAS EDUCATIVAS
A reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que envolve um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. Nesse sentido, a produção de conhecimento deve necessariamente contemplar as inter-relações do meio natural com o social, incluindo a análise dos determinantes do processo, o papel dos diversos atores envolvidos e as formas de organização social que aumentam o poder das ações alternativas de um novo desenvolvimento, numa perspectiva que priorize novo perfil de desenvolvimento, com ênfase na sustentabilidade socioambiental.


Tomando-se como referência o fato de a maior parte da população brasileira viver em cidades, observa-se uma crescente degradação das condições de vida, refletindo uma crise ambiental. Isto nos remete a uma necessária reflexão sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da questão ambiental numa perspectiva contemporânea. Leff (2001) fala sobre a impossibilidade de resolver os crescentes e complexos problemas ambientais e reverter suas causas sem que ocorra uma mudança radical nos sistemas de conhecimento, dos valores e dos comportamentos gerados pela dinâmica de racionalidade existente, fundada no aspecto econômico do desenvolvimento.


A partir da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em Tsibilisi (EUA), em 1977, inicia-se um amplo processo em nível global orientado para criar as condições que formem uma nova consciência sobre o valor da natureza e para reorientar a produção de conhecimento baseada nos métodos da interdisciplinaridade e nos princípios da complexidade. Esse campo educativo tem sido fertilizado transversalmente, e isso tem possibilitado a realização de experiências concretas de educação ambiental de forma criativa e inovadora por diversos segmentos da população e em diversos níveis de formação. O documento da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade, Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, realizada em Tessalônica (Grécia), chama a atenção para a necessidade de se articularem ações de educação ambiental baseadas nos conceitos de ética e sustentabilidade, identidade cultural e diversidade, mobilização e participação e práticas interdisciplinares (Sorrentino, 1998).

A necessidade de abordar o tema da complexidade ambiental decorre da percepção sobre o incipiente processo de reflexão acerca das práticas existentes e das múltiplas possibilidades de, ao pensar a realidade de modo complexo, defini-la como uma nova racionalidade e um espaço onde se articulam natureza, técnica e cultura. Refletir sobre a complexidade ambiental abre uma estimulante oportunidade para compreender a gestação de novos atores sociais que se mobilizam para a apropriação da natureza, para um processo educativo articulado e compromissado com a sustentabilidade e a participação, apoiado numa lógica que privilegia o diálogo e a interdependência de diferentes áreas de saber. Mas também questiona valores e premissas que norteiam as práticas sociais prevalecentes, implicando mudança na forma de pensar e transformação no conhecimento e nas práticas educativas.


A realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, e isto se produz na inter-relação dos saberes e das práticas coletivas que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante da reapropriação da natureza, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre saberes.


A preocupação com o desenvolvimento sustentável representa a possibilidade de garantir mudanças sociopolíticas que não comprometam os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comunidades.


A complexidade desse processo de transformação de um planeta, não apenas crescentemente ameaçado, mas também diretamente afetado pelos riscos
socioambientais e seus danos, é cada vez mais notória. A concepção “sociedade de
risco”, de Beck (1992), amplia a compreensão de um cenário marcado por nova
lógica de distribuição dos riscos.


Os grandes acidentes envolvendo usinas nucleares e contaminações tóxicas de grandes proporções, como os casos de Three-Mile Island, nos EUA, em 1979, Love Canal no Alasca, Bhopal, na Índia, em 1984 e Chernobyl, na época, União Soviética, em 1986, estimularam o debate público e científico sobre a questão dos riscos nas sociedades contemporâneas. Inicia-se uma mudança de escala na análise dos problemas ambientais, tornados mais freqüentes, os quais pela sua própria natureza tornam-se mais difíceis de serem previstos e assimilados como parte da realidade global.


Ulrich Beck identifica a sociedade de risco com uma segunda modernidade ou modernidade reflexiva, que emerge com a globalização, a individualização, a revolução de gênero, o subemprego e a difusão dos riscos globais. Os riscos atuais caracterizam-se por ter conseqüências, em geral de alta gravidade, desconhecidas a longo prazo e que não podem ser avaliadas com precisão, como é o caso dos riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos.

O tema da sustentabilidade confronta-se com o paradigma da “sociedade de risco”. Isso implica a necessidade de se multiplicarem as práticas sociais baseadas no fortalecimento do direito ao acesso à informação e à educação ambiental em uma perspectiva integradora. E também demanda aumentar o poder das iniciativas baseadas na premissa de que um maior acesso à informação e transparência na administração dos problemas ambientais urbanos pode implicar a reorganização do poder e da autoridade.


Existe, portanto, a necessidade de incrementar os meios de informação e o acesso a eles, bem como o papel indutivo do poder público nos conteúdos educacionais, como caminhos possíveis para alterar o quadro atual de degradação socioambiental. Trata-se de promover o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade de a população participar em um nível mais alto no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua co-responsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental.


Há uma demanda atual para que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um papel mais propositivo, bem como seja capaz de questionar, de forma concreta, a falta de iniciativa do governo na implementação de políticas ditadas pelo binômio da sustentabilidade e do desenvolvimento num contexto de crescente dificuldade na promoção da inclusão social.


Nessa direção, a problemática ambiental constitui um tema muito propício para aprofundar a reflexão e a prática em torno do restrito impacto das práticas de resistência e de expressão das demandas da população das áreas mais afetadas pelos constantes e crescentes agravos ambientais. Mas representa também a possibilidade de abertura de estimulantes espaços para implementar alternativas diversificadas de democracia participativa, notadamente a garantia do acesso à informação e a consolidação de canais abertos para uma participação plural.


A postura de dependência e de desresponsabilização da população decorre principalmente da desinformação, da falta de consciência ambiental e de um déficit de práticas comunitárias baseadas na participação e no envolvimento dos cidadãos, que proponham uma nova cultura de direitos baseada na motivação e na co-participação da gestão ambiental.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ATORES, PRÁTICAS E ALTERNATIVAS


Nestes tempos em que a informação assume um papel cada vez mais relevante, ciberespaço, multimídia, internet, a educação para a cidadania representam a
possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas for-

mas de participação na defesa da qualidade de vida. Nesse sentido cabe destacar que a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável. Entende-se, portanto, que a educação ambiental é condição necessária para modificar um quadro de crescente degradação socioambiental, mas ela ainda não é suficiente, o que, no dizer de Tamaio (2000), se converte em “mais uma ferramenta de mediação necessária entre culturas, comportamentos diferenciados e interesses de grupos sociais para a construção das transformações desejadas”. O educador tem a função de mediador na construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática social centrada no conceito da natureza.


A problemática da sustentabilidade assume neste novo século um papel central na reflexão sobre as dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram. O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente tem tido conseqüências cada vez mais complexas, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.


O conceito de desenvolvimento sustentável surge para enfrentar a crise ecológica, sendo que pelo menos duas correntes alimentaram o processo. Uma primeira, centrada no trabalho do Clube de Roma, reúne suas idéias, publicadas sob o título de Limites do crescimento em 1972, segundo as quais, para alcançar a estabilidade econômica e ecológica propõe-se o congelamento do crescimento da população global e do capital industrial, mostrando a realidade dos recursos limitados e indicando um forte viés para o controle demográfico (ver Meadows et al., 1972).


Uma segunda, está relacionada com a crítica ambientalista ao modo de vida contemporâneo, e se difundiu a partir da Conferência de Estocolmo em 1972. Tem
como pressuposto a existência de sustentabilidade social, econômica e ecológica.
Estas dimensões explicitam a necessidade de tornar compatível a melhoria nos ní-
veis e qualidade de vida com a preservação ambiental. Surge para dar uma resposta
à necessidade de harmonizar os processos ambientais com os socioeconômicos,
maximizando a produção dos ecossistemas para favorecer as necessidades humanas presentes e futuras. A maior virtude dessa abordagem é que, além da incorporação definitiva dos aspectos ecológicos no plano teórico, ela enfatiza a necessidade
de inverter a tendência auto destrutiva dos processos de desenvolvimento no seu
abuso contra a natureza ( Jacobi, 1997).


Dentre as transformações mundiais das duas últimas décadas, aquelas vinculadas à degradação ambiental e à crescente desigualdade entre regiões assumem um lugar de destaque no reforço à adoção de esquemas integradores. Articulamse, portanto, de um lado, os impactos da crise econômica dos anos 80 e a necessidade de repensar os paradigmas existentes; e de outro, o alarme dado pelos fenômenos de aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, dentre outros problemas.


A partir de 1987, a divulgação do Relatório Brundtlandt, também conhecido como “Nosso futuro comum” 1, defende a idéia do “desenvolvimento sustentável” indicando um ponto de inflexão no debate sobre os impactos do desenvolvimento.


Não só reforça as necessárias relações entre economia, tecnologia, sociedade e política, como chama a atenção para a necessidade do reforço de uma nova postura ética em relação à preservação do meio ambiente, caracterizada pelo desafio de uma responsabilidade tanto entre as gerações quanto entre os integrantes da sociedade dos nossos tempos. Na Rio 92, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global coloca princípios e um plano de ação para educadores ambientais, estabelecendo uma relação entre as políticas públicas de educação ambiental e a sustentabilidade. Enfatizam-se os processos participativos na promoção do meio ambiente, voltados para a sua recuperação, conservação e melhoria, bem como para a melhoria da qualidade de vida.


É importante ressaltar que, apesar das críticas a que tem sido sujeito, o conceito de desenvolvimento sustentável representa um importante avanço, na medida em que a Agenda 21 global, como plano abrangente de ação para o desenvolvimento sustentável no século XXI, considera a complexa relação entre o desenvolvimento e o meio ambiente numa variedade de áreas, destacando a sua pluralidade, diversidade, multiplicidade e heterogeneidade.


As dimensões apontadas pelo conceito de desenvolvimento sustentável contemplam cálculo econômico, aspecto biofísico e componente sociopolítico, como referenciais para a interpretação do mundo e para possibilitar interferências na lógica predatória prevalecente. O desenvolvimento sustentável não se refere especificamente a um problema limitado de adequações ecológicas de um processo social, mas a uma estratégia ou um modelo múltiplo para a sociedade, que deve levar em conta tanto a viabilidade econômica como a ecológica. Num sentido abrangente, a noção de desenvolvimento sustentável reporta-se à necessária redefinição das relações entre sociedade humana e natureza, e, portanto, a uma mudança substancial do próprio processo civilizatório, introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito para a ação. Pode-se afirmar que ainda prevalece a transcendência do enfoque sobre o desenvolvimento sustentável radical mais na sua capacidade de idéia força, nas suas repercussões intelectuais e no seu papel articulador de discursos e de práticas atomizadas que, apesar desse caráter, tem matriz única, originada na existência de uma crise ambiental, econômica e também social (Jacobi, 1997).


O desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo no qual, de um lado, as restrições mais relevantes estão relacionadas com a exploração dos recursos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e o marco institucional. De outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos qualitativos, notadamente os relacionados com a eqüidade, o uso de recursos – em particular da energia – e a geração de resíduos e contaminantes. Além disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos déficits sociais, nas necessidades básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos países desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos-base, sobretudo os agrícolas, energéticos, bióticos, minerais, ar e água.

Assim, a idéia de sustentabilidade implica a prevalência da premissa de que é preciso definir limites às possibilidades de crescimento e delinear um conjunto de iniciativas que levem em conta a existência de interlocutores e participantes sociais relevantes e ativos por meio de práticas educativas e de um processo de diálogo informado, o que reforça um sentimento de co-responsabilidade e de constituição de valores éticos. Isto também implica que uma política de desenvolvimento para uma sociedade sustentável não pode ignorar nem as dimensões culturais, nem as relações de poder existentes e muito menos o reconhecimento das limitações ecológicas, sob pena de apenas manter um padrão predatório de desenvolvimento.


Atualmente, o avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos, na medida em que existe uma restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de desenvolvimento em curso. Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatórias são atribuídas às instituições sociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos valores adotados pela sociedade. Isso implica principalmente a necessidade de estimular uma participação mais ativa da sociedade no debate dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas, objetivos e soluções. O caminho a ser desenhado passa necessariamente por uma mudança no acesso à informação e por transformações institucionais que garantam acessibilidade e transparência na gestão. Existe um desafio essencial a ser enfrentado, e este está centrado na possibilidade de que os sistemas de informações e as instituições sociais se tornem facilitadores de um processo que reforce os argumentos para a construção de uma sociedade sustentável. Para tanto é preciso que se criem todas as condições para facilitar o processo, suprindo dados, desenvolvendo
e disseminando indicadores e tornando transparentes os procedimentos por meio
de práticas centradas na educação ambiental que garantam os meios de criar novos
estilos de vida e promovam uma consciência ética que questione o atual modelo de
desenvolvimento, marcado pelo caráter predatório e pelo reforço das desigualdades socioambientais.


A sustentabilidade como novo critério básico e integrador precisa estimular
permanentemente as responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos
aspectos extra-econômicos serve para reconsiderar os aspectos relacionados com
a eqüidade, a justiça social e a própria ética dos seres vivos.


A noção de sustentabilidade implica, portanto, uma inter-relação necessária
de justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a ruptura com o atual
padrão de desenvolvimento (Jacobi, 1997).

Nesse contexto, segundo Reigota (1998), a educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos. Para Pádua e Tabanez (1998), a educação ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudança de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente.


A relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam.


As políticas ambientais e os programas educativos relacionados à conscientização da crise ambiental demandam cada vez mais novos enfoques integradores de uma realidade contraditória e geradora de desigualdades, que transcendem a mera aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis.


O desafio é, pois, o de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal e não formal. Assim a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo em conta que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradacão é o homem. Para Sorrentino (1998), os grandes desafios para os educadores ambientais são, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.


Quando nos referimos à educação ambiental, situamo-na em contexto mais amplo, o da educação para a cidadania, configurando-a como elemento determinante para a consolidação de sujeitos cidadãos. O desafio do fortalecimento da cidadania para a população como um todo, e não para um grupo restrito, concretiza-se pela possibilidade de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres, e de se converter, portanto, em ator co-responsável na defesa da qualidade de vida.


O principal eixo de atuação da educação ambiental deve buscar, acima de tudo, a solidariedade, a igualdade e o respeito à diferença através de formas democráticas de atuação baseadas em práticas interativas e dialógicas. Isto se consubstancia no objetivo de criar novas atitudes e comportamentos diante do consumo na nossa sociedade e de estimular a mudança de valores individuais e coletivos (Jacobi, 1997).


A educação ambiental é atravessada por vários campos de conhecimento, o que a situa como uma abordagem multirreferencial, e a complexidade ambiental (Leff, 2001) reflete um tecido conceitual heterogêneo, “onde os campos de conhecimento, as noções e os conceitos podem ser originários de várias áreas do saber”(Tristão, 2002).


Portanto, utilizando como referencial do rizoma, a dimensão ambiental representa a possibilidade de lidar com conexões entre diferentes dimensões humanas, propiciando, entrelaçamentos e múltiplos trânsitos entre múltiplos saberes. A escola participa então dessa rede “como uma instituição dinâmica com capacidade de compreender e articular os processos cognitivos com os contextos da vida” (Tristão, 2002).

A educação insere-se na própria teia da aprendizagem e assume um papel estratégico nesse processo, e, parafraseando Reigota, podemos dizer que ...a educação ambiental na escola ou fora dela continuará a ser uma concepção radical de educação, não porque prefere ser a tendência rebelde do pensamento educacional contemporâneo, mas sim porque nossa época e nossa herança histórica e ecológica exigem alternativas radicais, justas e pacíficas. (1998, p.43 )


E o que dizer do meio ambiente na escola? Tomando-se como referência Vigotsky (apud Tamaio, 2000) pode-se dizer que um processo de reconstrução interna (dos indivíduos) ocorre a partir da interação com uma ação externa (natureza, reciclagem, efeito estufa, ecossistema, recursos hídricos, desmatamento), na qual os indivíduos se constituem como sujeitos pela internalização de significações que sãoconstruídas e reelaboradas no desenvolvimento de suas relações sociais. A educação ambiental, como tantas outras áreas de conhecimento, pode assumir, assim, “uma parte ativa de um processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução dos problemas” (Vigotsky, 1991). Trata-se de um aprendizado social, baseado no diálogo e na interação em constante processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados, que podem se originar do aprendizado em sala de aula ou da experiência pessoal do aluno. Assim, a escola pode transformar-se no espaço em que o aluno terá condições de analisar a natureza em um contexto entrelaçado de práticas sociais, parte componente de uma realidade mais complexa e multifacetada. O mais desafiador é evitar cair na simplificação de que a educação ambiental poderá superar uma relação pouco harmoniosa entre os indivíduos e o meio ambiente mediante práticas localizadas e pontuais, muitas vezes distantes da realidade social de cada aluno. Cabe sempre enfatizar a historicidade da concepção de natureza (Carvalho, 2001), o que possibilita a construção de uma visão mais abrangente (geralmente complexa, como é o caso das questões ambientais) e que abra possibilidades para uma ação em busca de alternativas e soluções.


E como se relaciona educação ambiental com a cidadania? Cidadania tem a ver com a identidade e o pertencimento a uma coletividade. A educação ambiental como formação e exercício de cidadania refere-se a uma nova forma de encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma forma diferente de ver o mundo e os homens.


A educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária.


E o que tem sido feito em termos de educação ambiental? A grande maioria das atividades são feitas dentro de uma modalidade formal. Os temas predominantes são lixo, proteção do verde, uso e degradação dos mananciais, ações para conscientizar a população em relação à poluição do ar. A educação ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversa, e a presença dos órgãos governamentais como articuladores, coordenadores e promotores de ações é ainda muito restrita.

No caso das grandes metrópoles existe a necessidade de enfrentar os problemas da poluição do ar, e o poder público deve assumir um papel indutor do processo. A redução do uso do automóvel estimula a co-responsabilidade social na preservação do meio ambiente, chama a atenção das pessoas e as informa sobre os perigos gerados pela poluição do ar. Mas isso implica a necessidade de romper com o estereótipo de que as responsabilidades urbanas dependem em tudo da ação governamental, e os habitantes mantêm-se passivos e aceitam a tutela.


O grande salto de qualidade tem sido feito pelas ONGs e organizações comunitárias, que tem desenvolvido ações não formais centradas principalmente na população infantil e juvenil. A lista de ações é interminável e essas referências são indicativas de práticas inovadoras preocupadas em incrementar a co-responsabilidade das pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais quanto à importância de formar cidadãos cada vez mais comprometidos com a defesa da vida.


A educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais caminhos de dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação.

O complexo processo de construção da cidadania no Brasil, num contexto de agudização das desigualdades, é perpassado por um conjunto de questões que necessariamente implica a superação das bases constitutivas das formas de dominação e de uma cultura política calcada na tutela. O desafio da construção de uma cidadania ativa configura-se como elemento determinante para constituição e fortalecimento de sujeitos cidadãos que, portadores de direitos e deveres, assumam a importância da abertura de novos espaços de participação.


Atualmente o desafio de fortalecer uma educação ambiental convergente e multirreferencial é prioritário para viabilizar uma prática educativa que articule de forma incisiva a necessidade de se enfrentar concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais. Assim, o entendimento sobre os problemas ambientais se dá por uma visão do meio ambiente como um campo de conhecimento e significados socialmente construído, que é perpassado pela diversidade cultural e ideológica e pelos conflitos de interesse. Nesse universo de complexidades precisa ser situado o aluno, cujos repertórios pedagógicos devem ser amplos e interdependentes, visto que a questão ambiental é um problema híbrido, associado a diversas dimensões humanas. Os professores(as) devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem, e dentre elas, as ambientais, a fim de poderem transmitir e decodificar para os alunos a expressão
dos significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas múltiplas determinações e intersecções. A ênfase deve ser a capacitação para perceber as relações entre as áreas e como um todo, enfatizando uma formação local/global, buscando marcar a necessidade de enfrentar a lógica da exclusão e das desigualdades. Nesse contexto, a administração dos riscos socioambientais coloca cada vez mais a necessidade de ampliar o envolvimento público por meio de iniciativas que possibilitem um aumento do nível de consciência ambiental dos moradores, garantindo a informação e a consolidação institucional de canais abertos para a participação numa perspectiva pluralista. A educação ambiental deve destacar os problemas ambientais que decorrem da desordem e degradação da qualidade de vida nas cidades e regiões.


À medida que se observa cada vez mais dificuldade de manter-se a qualidade de vida nas cidades e regiões, é preciso fortalecer a importância de garantir padrões ambientais adequados e estimular uma crescente consciência ambiental, centrada no exercício da cidadania e na reformulação de valores éticos e morais, individuais e coletivos, numa perspectiva orientada para o desenvolvimento sustentável.


A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma nova forma de relação ser humano/natureza, e a sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como somatório de práticas e, conseqüentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade de generalização para o conjunto da sociedade.


Entende-se que essa generalização de práticas ambientais só será possível se estiver inserida no contexto de valores sociais, mesmo que se refira a mudanças de hábitos cotidianos.


A problemática socioambiental, ao questionar ideologias teóricas e práticas, propõe a participação democrática da sociedade na gestão dos seus recursos atuais e potenciais, assim como no processo de tomada de decisões para a escolha de novos estilos de vida e a construção de futuros possíveis, sob a ótica da sustentabilidade ecológica e a eqüidade social.


Torna-se cada vez mais necessário consolidar novos paradigmas educativos, centrados na preocupação de iluminar a realidade desde outros ângulos, e isto supõe a formulação de novos objetos de referência conceituais e, principalmente, a transformação de atitudes.

SUSTENTABILIDADE, MOVIMENTOS SOCIAIS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Talvez uma das características mais importantes do movimento ambientalista seja a sua diversidade. Esse amplo espectro de práticas e atores confere-lhe um caráter multissetorial que congrega inúmeras tendências e propostas orientadoras de suas ações, considerando valores como eqüidade, justiça, cidadania, democracia e conservação ambiental. Nesse amplo universo de ONGs, algumas fazem trabalho de base, outras são mais voltadas para a militância, outras têm um caráter mais político e outras implementam projetos demonstrativos. Embora ocorra uma certa queda na capacidade mobilizatória dos movimentos ambientalistas, observa-se também um grau de amadurecimento das práticas e a consolidação de um perfil de atuação de instituições numa perspectiva proativa e propositiva, dentro de moldes de sustentabilidade. O que representa a marca da atuação das ONGs? Seus pontos fortes estão na sua credibilidade e capital ético; na sua eficiência quanto à intervenção na microrrealidade social (grupos e comunidades), o que lhes permite formular aspirações e propor estratégias para atendê-las; na maior eficiência quanto à aplicação de recursos e agilidade na implementação de projetos que têm a marca da inovação e da articulação da sustentabilidade com a eqüidade social.


O ambientalismo ingressa nos anos 90 constituindo-se como um ator relevante que, embora carregue consigo as marcas do seu processo de afirmação, assume um caráter ampliado, baseado num esforço cada vez mais claramente planejado de diálogo com outros atores sociais.


As questões que o ambientalismo suscita estão hoje muito associadas às necessidades de constituição de uma cidadania para os desiguais, à ênfase dos direitos sociais, ao impacto da degradação das condições de vida decorrentes da degradação socioambiental, notadamente nos grandes centros urbanos, e à necessidade de ampliar a assimilação, pela sociedade, do reforço a práticas centradas na sustentabilidade por meio da educação ambiental.


O salto de qualidade do ambientalismo ocorre na medida em que se cria uma identidade crescente entre o significado e dimensões das práticas, com forte ênfase na relação entre degradação ambiental e desigualdade social, reforçando a necessidade de alianças e interlocuções coletivas.


Apesar de a maior parte das entidades ser baseada na militância voluntária não remunerada, observa-se, nos últimos anos, um crescente esforço de profissionalização, ainda que isso ocorra em um número muito restrito de entidades. Um aspecto bastante polêmico está relacionado com a representatividade de entidades nos diversos tipos de conselhos e comissões. O que se nota é a existência de organizações que praticamente concentram suas atividades associadas à participação em espaços de representação.

Trata-se de uma lógica bastante perversa, gerada pela dinâmica de institucionalização de entidades centradas em poucas pessoas, que têm muita capacidade de ocupar espaços e que, mesmo sem trabalho de base e inclusive pouca legitimidade no próprio movimento ambiental, articulam a manutenção de sua presença.


As coalizões na sociedade civil vêm-se fortalecendo, explicitando escolha de
temas e questões a serem enfrentadas em nome da busca de objetivos comuns, de
modo a configurar a inflexão de uma dinâmica reativa para uma dinâmica propositiva, que aproxima as ONGs e movimentos da mídia e que centra a atuação na coleta, sistematização e disseminação de informações.


Nessa direção, as articulações têm possibilitado o crescente fortalecimento de um pólo político interno que integra as ONGs no centro do processo de pressão e gestão, representando, portanto, uma inflexão importante numa agenda até recentemente trazida de fora para dentro.


Apesar do pequeno reconhecimento do papel das ONGs, do que decorre reduzido interesse da sociedade brasileira em financiar de forma voluntária suas organizações da sociedade civil, observa-se um aumento da sua legitimidade e da sua institucionalidade.


O ambientalismo do século XXI tem uma complexa agenda pela frente. De um lado, o desafio de uma participação cada vez mais ativa na governabilidade dos problemas socioambientais e na busca de respostas articuladas e sustentadas em arranjos institucionais inovadores, que possibilitem uma “ambientalização dos processos sociais”, dando sentido à formulação e implementação de uma Agenda 21 no nível nacional e subnacional. De outro, a necessidade de ampliar o escopo de sua atuação, mediante redes, consórcios institucionais, parcerias estratégicas e outras engenharias institucionais que ampliem seu reconhecimento na sociedade e estimulem o envolvimento de novos atores.


Se o contexto no qual se configuram as questões ambientais é marcado pelo conflito de interesses e uma polarização entre visões de mundo, as respostas precisam conter cada vez mais um componente de cooperação e de definição de uma agenda que acelere prioridades para a sustentabilidade como um novo paradigma de desenvolvimento. Não se devem esquecer, no caso, das determinações estruturais decorrentes de um sistema globalizado, de um padrão de consumo que promove o desperdício naquelas sociedades e segmentos que dele fazem parte, bem como a dualidade entre os que “têm” e os que “não têm”.


O desafio que está colocado é o de não só reconhecer, mas estimular práticas que reforcem a autonomia e a legitimidade de atores sociais que atuam articuladamente numa perspectiva de cooperação, como é o caso de comunidades locais e ONGs. Isto representa a possibilidade de mudar as práticas prevalecentes, rompendo com as lógicas da tutela e da regulação, definindo novas relações baseadas na negociação, na contratualidade e na gestão conjunta de programas e atividades, o que introduz um novo significado nos processos de formulação e implementação de políticas ambientais.


Trata-se, portanto, de repensar o público por meio da sociedade e de verificar as dimensões da oferta institucional e a criação de canais institucionais para viabilizar novas formas de cooperação social. Os desafios para ampliar a participação estão intrinsecamente vinculados à predisposição dos governos locais de criar espaços públicos e plurais de articulação e participação, nos quais os conflitos se tornam visíveis e as diferenças se confrontam como base constitutiva da legitimidade dos diversos interesses em jogo, ampliando as possibilidades de a população participar mais intensamente dos processos decisórios como um meio de fortalecer a sua co-responsabilidade na fiscalização e controle dos agentes responsáveis pela degradação socioambiental.


O momento atual exige que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um caráter mais propositivo, assim como para poder questionar de forma concreta a falta de iniciativa dos governos para implementar políticas pautadas pelo binômio sustentabilidade e desenvolvimento num contexto de crescentes dificuldades para promover a inclusão social. Para tanto é importante o fortalecimento das organizações sociais e comunitárias, a redistribuição de recursos mediante parcerias, de informação e capacitação para participar crescentemente dos espaços públicos de decisão e para a construção de instituições pautadas por uma lógica de sustentabilidade.


Diversas experiências, principalmente das administrações municipais, mostram que, havendo vontade política, é possível viabilizar ações governamentais pautadas pela adoção dos princípios de sustentabilidade ambiental conjugada a resultados na esfera do desenvolvimento econômico e social.


Nessa direção, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais fatores de dinamização da sociedade e de ampliação do controle social da coisa pública, inclusive pelos setores menos mobilizados. Trata-se de criar as condições para a ruptura com a cultura política dominante e para uma nova proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação. Esta se concretizará principalmente pela presença crescente de uma pluralidade de atores que, pela ativação do seu potencial de participação, terão cada vez mais condições de intervir consistentemente e sem tutela nos processos decisórios de interesse público, legitimando e consolidando propostas de gestão baseadas na garantia do acesso à informação e na consolidação de canais abertos para a participação, que, por sua vez, são precondições básicas para a institucionalização do controle social.


Concluímos, afirmando que o desafio político da sustentabilidade, apoiado no potencial transformador das relações sociais que representam o processo da Agenda 21, encontra-se estreitamente vinculado ao processo de fortalecimento da democracia e da construção da cidadania. A sustentabilidade traz uma visão de desenvolvimento que busca superar o reducionismo e estimula um pensar e fazer sobre o meio ambiente diretamente vinculado ao diálogo entre saberes, à participação, aos valores éticos como valores fundamentais para fortalecer a complexa interação entre sociedade e natureza. Nesse sentido, o papel dos professores(as) é essencial para impulsionar as transformações de uma educação que assume um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade, como parte de um processo coletivo.


A necessidade de uma crescente internalização da problemática ambiental, um saber ainda em construção, demanda empenho para fortalecer visões integradoras que, centradas no desenvolvimento, estimulem uma reflexão sobre a diversidade e a construção de sentidos em torno das relações indivíduos-natureza, dos riscos ambientais globais e locais e das relações ambiente-desenvolvimento. A educação ambiental, nas suas diversas possibilidades, abre um estimulante espaço para repensar práticas sociais e o papel dos professores como mediadores e transmissores de um conhecimento necessário para que os alunos adquiram uma base adequada de compreensão essencial do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e soluções e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade planetária mais eqüitativa e ambientalmente sustentável.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sustentabilidade e Saúde

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O desenvolvimento sustentável requer que as sociedades atendam as necessidades humanas tanto pelo aumento do potencial produtivo como pela garantia de oportunidades iguais para todos e cabe aos governos, se atentarem a esses comportamentos. Num universo onde a pobreza e a desigualdade são endêmicas estará sempre propenso a crises ecológicas, econômicas, recessão, etc.

Sem dúvida, a saúde é pré-requisito para se obter resultados positivos que refletem nos indicativos dos três pilares do desenvolvimento sustentável, elementos essenciais na erradicação da pobreza, fatores determinantes, como: condições sociais, econômicas e ambientais. Todavia, é imprescindível que os governantes priorizem esse tipo de desenvolvimento para melhorar os indicativos, aumentando à consciência acerca dos impactos que as decisões políticas podem causar nos resultados em saúde.

Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento sustentável (Rio+20), foram debatidos vários temas: alimentos, energia, água, emprego, cidades, oceanos, turismo, transportes, mudanças climáticas, erradicação da pobreza, florestas, produtos químicos, saúde, consumo e produção sustentável. O tema saúde mereceu um tratamento muito tímido, considerando a grande relevância desse seguimento para a humanidade, pois a saúde é o indicador mais sensível aos efeitos negativos demonstrado nesse desenvolvimento perverso que provoca a degradação ambiental em nosso planeta.

O Governo brasileiro também não demonstrou motivação para que o tema saúde fosse destacado, mesmo porque, em sua política interna também não prioriza investimentos financeiros suficientes para corresponder com as necessidades do setor. Basta lembrar, que a Emenda Constitucional 29 foi aprovada no ano 2.000, obrigando aos Estados e Municípios investir imediatamente, 12% e 15% das suas respectivas receitas em saúde. E somente em dezembro de 2.011, que a regulamentação desse dispositivo constitucional foi regulamentada pelo Governo Federal. Com 11 anos de espera à tão sonhada reforma sanitária brasileira, veio desobrigando o Governo da União de investir pelo menos 10% da sua receita em saúde pública.

Não há como dissociar desenvolvimento sustentável do sistema de seguridade em saúde. Nosso país é recordista mundial de venenos agrícolas, associado à alta difusão dos produtos e a globalização que exige um novo modelo para a agricultura, mas não prioriza qualidade sanitária para os alimentos.

É preciso deixar claro, qual o futuro que queremos e merecemos. Meio Ambiente levado a sério, significa estabelecer medidas destinadas a impedir que a imensa maioria de populações pobres pague pela degradação dos recursos ambientais provocada pelos detentores da riqueza, porque “sem saúde não haverá sustentabilidade”.

Claudio Palozi

domingo, 18 de agosto de 2013

Fralda de pano volta como alternativa sustentável

 

Elas saíram de cena na década de 1970, quando as fraldas descartáveis se tornaram acessíveis, ganhando a preferência das mamães. Agora, as fraldas de pano voltam aos lares como alternativa para mulheres preocupadas com o meio ambiente, que usam a consciência sustentável como ferramenta de educação e exemplo para seus filhos. Eles, por sua vez, aprendem a lição e fazem surgir uma nova geração de crianças.


Isso é o que ocorre na família Hönig. Raquel, 28 anos, mãe de Elias (5) e Sarah (2), utiliza fraldas de pano desde a primeira gestação. Ela confessa que aderiu à opção por teimosia, mas o fator ecológico pesou muito na decisão. “Queria mostrar a todos que era possível usar fraldas de pano, que não era algo de outro mundo. Além disso, acabo colaborando com a preservação do meio ambiente e cuido mais da saúde dos meus filhos, já que a fralda de pano é melhor para a pele do bebê, pois a troca é mais frequente”, diz.


Em pouco tempo, Raquel notou que os benefícios dessa escolha eram ainda mais amplos do que imaginava. “Quando o Elias viu uma amiga jogar a fralda da filha no lixo, ele veio me perguntar o porquê daquilo, pois estava acostumado a me ver lavar e depois guardar a fralda para o próximo uso.” Sarah, que nasceu em casa de parto natural, ainda usa fraldas de pano para dormir e segue o exemplo da mãe brincando de colocá-las nas bonecas.


Uma questão sustentável
Dados da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp revelam que uma fralda descartável leva, em média, 600 anos para se decompor na natureza. Se, assim, o número já assusta, pense na quantidade de fraldas descartadas diariamente mundo afora.


É bom lembrar que, segundo estimativas, um bebê de até cinco quilos utiliza oito fraldas descartáveis por dia, ou seja, são 240 no fim do mês e, aproximadamente, 3 mil em um ano.


A discussão sobre o gasto de água e sabão nas lavagens das fraldas de tecido é recorrente, no entanto, estima-se que um litro de água por fralda seja o suficiente para lavar e enxaguar – uma quantidade pequena e menos agressiva ao meio ambiente.
A dica para evitar o desperdício é separar um balde para as fraldas sujas, que devem ser higienizadas com sabão de coco, já que produtos químicos podem causar alergias nos bebês. Outra boa dica é adicionar uma colher de sopa de vinagre branco a cada 10 litros de água para evitar o mau cheiro.


Economia no bolso
Mãe de duas meninas, Bettina Lauterbach, 43 anos, engenheira química e empresária da loja Fralda Bonita, afirma que, em menos de três anos, o uso de fraldas de pano permite economizar até R$ 2.000 em relação ao custo das descartáveis.


“Não é preciso ter tantas fraldas de pano, até porque elas são laváveis. A média de utilização diária é de dez fraldas”, explica Bettina. O ideal é ter o dobro do que se utiliza ao dia – cerca de 20 fraldas de pano – para dar tempo de lavar e secar.


Versões modernas
Além da fralda de pano tradicional – tecido branco dobrado em forma de triângulo e preso por alfinetes, fitas ou garrinhas (veja o passo a passo na galeria de fotos) –, outros formatos mais modernos convencem muitas mães a aderir à moda sustentável, só que de um jeito mais prático, pois as fraldas vêm prontas para o uso e evitam vazamento.


As fraldas de pano modernas têm uma camada impermeável e, à exceção do modelo que já vem completo, todas possuem bolso para inserção do absorvente.  (veja na galeria de fotos)


À primeira vista, o custo dessa modernidade pode assustar – o valor da fralda de pano pronta equivale ao de três fraldas de pano tradicionais –, mas, a longo prazo, as mamães que aderem à opção sustentável acabam notando a economia, pois o estoque só precisa ser reposto a cada seis meses.


Essa moda pega
O número de mulheres que optam pelas fraldas de pano vem crescendo a cada dia. Na Fralda Bonita, por exemplo, são comercializadas aproximadamente 400 fraldas por mês, um número expressivo, segundo a empresária. “Nós exportamos para Portugal e para a Espanha, pois a conscientização ecológica já é bem forte em países da Europa. Acredito que a preocupação com o meio ambiente só tende a crescer no Brasil.”


Raquel Hönig participa de um grupo de pessoas interessadas em fraldas de pano na internet e mantém o blog Ninho da Coruja, criado na época do nascimento da sua filha mais nova. “Por causa da dificuldade de encontrar fraldas de pano no Brasil, resolvi montar o blog e fiquei surpresa com o número de mães interessadas no assunto”, finaliza.
Seguir o velho costume das mães do passado pode representar um desafio na rotina das mulheres atuais, mas existe também a alternativa de experimentá-lo ocasionalmente.

Tradicionais ou modernas, as fraldas de pano continuam cumprindo muito bem o seu papel.
Dúvidas sobre como dobrá-la e vesti-la no seu filho? Veja a explicação que o especial Vida de Bebê traz na galeria de fotos.

Coletânea Editorial
Especial para o Terra

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Peso da Sustentabilidade na Hora da Compra

 

O brasileiro dá sinais de que vem mudando os critérios nos momentos de compra.

O preço continua sendo o atributo de maior peso e as características dos produtos são menos decisivas; ao passo que a confiança na marca e o status de obter o produto ganharam força.

E quanto à atuação sustentável dos fabricantes: o seu uso como atributo decisório acompanha o aumento da saliência do tema na mídia?

Na verdade, não. Mesmo com a crescente exposição a informações e comunicações, o consumidor brasileiro continua considerando a atuação sustentável dos fabricantes como um atributo secundário. Secundário é igual a marginal?

Nem um pouco. Ele aparece, mas atrás das preocupações clássicas como preço e qualidade. E – para ser honesto – poderíamos realmente esperar algo diferente numa época marcada pela meteórica ascensão de milhões de brasileiros às classes médias e a facilidade com que se permite que satisfaçam sua voracidade de consumo (até ontem reprimida)?

De todas as formas, a culpa não pode estar sempre nos outros. E isso leva à pergunta: mas, então, o que as empresas que têm incorporado a sustentabilidade como princípio norteador da gestão podem fazer no sentido de alavancar a importância desse atributo nos processos decisórios de compra da demanda, ganhando margem competitiva sobre concorrentes que se mantêm com o business as usual?

Entender a sustentabilidade como um conjunto de valores e princípios implica considerá-la como associável à marca, à gestão, à produção, à qualidade dos produtos, enfim, às diversas dimensões de uma organização.

Considerando-se a evolução dos atributos de compra dos consumidores brasileiros, a aposta mais promissora seria a de agregar o valor sustentabilidade à marca como um todo, uma vez que o prestígio do fabricante tem se constituído em um atributo cada vez mais importante, saindo da terceira posição, em 2010, para a segunda, em 2012.

A mensagem latente parece passar por aproveitar a relação de confiança entre cliente e empresa para comunicar as vantagens sustentáveis de um produto ou serviço, de forma que fiquem claras e tangíveis aos públicos-alvo.

Assim, os consumidores poderão se munir desses critérios sustentáveis no momento da decisão. E não suspeitar que, ao fazer isso, estejam dando um salto no obscuro.

É importante ponderar que, embora o atributo “atuação sustentável” ainda esteja atrás dos demais, a sua importância é pouco questionada pelos consumidores: quando perguntados sobre quão importante é o compromisso socioambiental de uma empresa na eleição de um produto, 85% dos brasileiros declaram que ele é algo ou muito relevante. Quer dizer que temos um consumidor indeciso?

Antes disso, o contraste entre importância atribuída e o peso concreto que a sustentabilidade tem na hora da escolha descortina a pobre referenciação da atuação socioambiental das empresas de cara aos seus consumidores. Esse dado revela uma disposição tácita a aceitar propostas de valor que tragam destaque à performance sustentável, sem ter, por isso, de sacrificar o bolso pagando mais caro, resignar-se a uma expectativa de funcionamento diferente do produto ou abrir mão da sensação de garantia e reconhecimento individual que uma marca outorga ao indivíduo.

Por fim, o que hoje influencia mais no peso final conquistado pelo comportamento sustentável do fabricante como atributo de compra? As pesquisas permitem obter várias pistas, cada uma sensível a um segmento determinado da economia. Ao analisarmos os consumidores a partir do nível de informação sobre sustentabilidade empresarial, por exemplo, fica claro que, à medida que se tornam mais informados, menor é o peso do preço como atributo decisório e maior a importância da atuação sustentável.

Olhando com mais atenção, é possível notar que, para ambos os atributos, a diferença maior ocorre justamente na brecha entre os consumidores desinformados e os que estão pouco informados. Esse resultado revela que mesmo um baixo contato com a sustentabilidade das empresas já implica mudanças na forma de ponderar os critérios usados nos processos de compra.

As empresas que buscam atuar de modo responsável têm uma tarefa menos árdua em termos de esforço e mais desafiadora no que diz respeito à criatividade para conseguir atrelar o atributo sustentabilidade aos processos decisórios de compra. Ao menos no Brasil, essa importância é praticamente uma unanimidade e, à medida que o consumidor se sente mais munido de informações sobre a atuação das corporações, a desproporção do peso entre o preço e o comportamento socioambiental do fabricante diminui.

Trata-se de uma tarefa tão inventiva quanto estimulante para o interior das organizações: tornar a performance sustentável da empresa e seus produtos um tema mais legível e tangível para a demanda. E mais explícita em seu alinhamento com a proposta de valor da marca e a experiência de uso do produto pelo consumidor.

* Fabián Echegaray é Ph.D em Ciência Política pela Universidade de Connecticut (Estados Unidos) e diretor-geral da Market Analysis, instituto de pesquisas especializado em sustentabilidade e responsabilidade social. (Ideia Sustentável)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Fraldas de pano

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Quando se fala em fraldas de pano, a primeira imagem que vem à mente é um pedaço de tecido branco dobrado em formato triangular e preso por um alfinete. Mas até mesmo as antigas tiras de pano evoluíram e hoje são artigos de desejo de muitas mamães conscientes.

Elas são coloridas e cheias de detalhes. À primeira vista, o que chama a atenção é o aspecto estético. Para muitas mulheres, as questões ambiental e econômica também são vantagens, mas a dúvida sobre a qualidade e praticidade acaba deixando a alternativa como segunda opção.

No Grande ABC, são descartados por mês aproximadamente 3.400 toneladas de fraldas e absorventes (somando dados das prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires). Pensando em diminuir a produção de lixo em sua casa, a estudante Jéssica Bonizzi, 21 anos, optou pelo uso das fraldas de pano. "Um dia me dei conta da quantidade de fraldas que jogava fora, mais ou menos umas 20 a cada três dias. A minha filha Valentina vivia assada e, quando conheci as fraldas de pano, resolvi arriscar. Foi paixão à primeira troca. Elas não vazam, como as pessoas costumam pensar, e deixam a pele do bebê respirar, ou seja, é muito melhor. E é bem prático para lavar."

O aspecto ambiental também foi decisivo para a historiadora Carla Valezin, 28, ao escolher os modelos ecológicos. "Quando estava grávida comecei a conhecer mais sobre as opções de fraldas e quis pedir várias no meu chá de bebê, porém, sabia que as pessoas não colaborariam com a iniciativa. O meu filho Mateus sofreu muito com as descartáveis. Ele tem uma alergia muito forte, fica com a pele cheia de feridas, e deve ser hereditário, pois tenho alergia aos absorventes também."

Carla lembra que, após o nascimento do filho, começou a usar absorventes de pano e o coletor menstrual, um copinho de silicone utilizado como absorvente interno, mas que é lavável. "Minha alergia acabou. Logo que vi o resultado, comecei a comprar fraldas de pano para ele. Foi como mágica, a alergia sumiu em apenas dois dias de uso."

As mães contam que a rotina das fraldas de pano não é tão assustadora. "É tudo muito simples. É só deixar de molho em água quente e depois colocar na máquina com sabão neutro", garantiu Carla.

Para a diretora do instituto ambientalista Morada da Floresta, Ana Paula Silva, é necessária mudança de comportamento. "Vendemos poucos produtos ecológicos se comparados aos números dos descartáveis, mas se todos mudarem a postura, o mundo fica melhor."

Material corresponde a 5% de todo o lixo descartado por mês

Das 68 mil toneladas de lixo produzidas por mês no Grande ABC (soma dos dados de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires), 3.400 toneladas são fraldas e absorventes descartáveis.

Uma fralda descartável demora cerca de 500 anos para se decompor no meio ambiente, enquanto as opções ecológicas, além de serem reutilizáveis por até três gerações da família, levam em média 90 dias para decompor a parte orgânica e no máximo 20 anos para o tecido.

Em São Caetano, parte das fraldas e absorventes recolhidos são incinerados com o lixo hospitalar, como forma de minimizar o impacto ao meio ambiente.

Algumas pessoas questionam se o uso das fraldas de pano seria prejudicial à água, gerando aumento do consumo e contaminação com o sabão. Para a professora de pós-graduação do curso de Gestão Ambiental da Fundação Santo André Ângela Baeder, colocar o aumento de consumo do recurso como vilão é um argumento com pouca fundamentação. "Atualmente existem inúmeras técnicas para reutilização da água e processos de filtragem utilizados nas estações de tratamento que proporcionam mais facilidade em tratar o líquido que sumir com o lixo que produzimos."

Para as mulheres que trocaram fraldas e absorventes descartáveis pelas opções ecológicas, há uma mudança de comportamento geral na família. Não é apenas inserido um item sustentável na casa, mas são agregados valores e novos hábitos. "Utilizo a água que fraldas e absorventes ficam de molho para regar as plantas", destacou Carla Valezin.

É importante analisar as atitudes e o quanto elas podem impactar em aspectos regionais e globais. "Para toda ação há uma reação. Utilizar descartáveis aumenta o lixo, já as ecológicas aumentam o uso de água. Mas temos que analisar o que é possível equilibrar", garante Ângela.

Pediatra alerta para cuidados com a higiene dos tecidos

Para a professora de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Nardini, em Mauá, Sueli Aparecida Bispo de Souza, o uso das fraldas de pano remete à sabedoria das avós. "É intrigante ver as mães modernas voltando no tempo e adotando novamente antigos hábitos."

Independentemente da contribuição ambiental e da economia gerada pelo uso das fraldas ecológicas, a pediatra lembra que a prática exige dedicação da mãe. "Apesar de os modelos modernos serem mais práticos, utilizarem tecidos de alta absorção e terem sistema antivazamento, a mãe precisa lembrar de uma questão primordial: a higiene. É necessário utilizar água quente e lavar com sabão neutro. O mais importante é enxaguar muito bem, se possível duas vezes. Passar a fralda com o ferro quente ajuda a eliminar qualquer bactéria."

A médica diz que não há estudo comparativo entre fraldas descartáveis e ecológicas, mas que a falta de produtos químicos no tecido colabora para diminuir a incidência de reações alérgicas. "O tecido mostra quando está molhado, assim a mãe fica mais atenta às trocas e preserva a pele do bebê."

sábado, 15 de junho de 2013

Sustentabilidade na Saúde

 

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Muito se tem ouvido falar em sustentabilidade, os ecologistas foram os pioneiros em defender os ambientes naturais e a sua exploração pelo homem. A seguir vieram os arquitetos, preocupados com a poluição visual das grandes cidades e com o desperdício de fontes energéticas e da água nas edificações modernas. Os economistas pegaram carona nessa idéia e logo lançaram a idéia da economia sustentável, ou seja, vamos gastar com inteligência para não faltar logo ali adiante, pena que eles mesmos não tenham se utilizado do próprio discurso para evitar a crise econômica mundial.

Mas o que dizer de Saúde Sustentável? Podemos poupar nossa saúde para alcançarmos a longevidade? Não se trata desse tipo de sustentabilidade que me refiro ao tratar do tema no âmbito da saúde pública. Acontece que a Constituição Federal garante atenção integral à saúde a todo habitante dentro de nossas fronteiras, mas não apresenta a fórmula, quase mágica, para cumprir com essa determinação. Não bastasse essa informação legal, temos uma população com um nível distorcido de suas necessidades de saúde, ainda somos impelidos a comprar idéias mirabolantes impostas pela indústria farmacêutica e de equipamentos hospitalares. É cada vez mais presente a busca por meios diagnósticos sofisticados e medicamentos que prometem curas que até Deus duvida.

Como compatibilizar pacientes cada vez mais exigentes e recursos proporcionalmente mais finitos e escassos?

Parece que a sustentabilidade se encaixa nesse delicado contexto e vai exigir muito dos profissionais envolvidos com a população em geral, especialmente aquelas de baixa renda e tênue condição cultural. Cabe aos médicos, dentistas, enfermeiros, agentes comunitários e todos aqueles envolvidos, direta e indiretamente com esse tipo de público, começar um trabalho determinado a mostrar que noventa (90) por cento dos casos de saúde pública são gerenciados e resolvidos no nível primário e que exames sofisticados devem ter sua hora e vez nos momentos em que forem exigidos, de forma que não sejam desperdiçados apenas para agradar um paciente mais informado ou para agilizar o atendimento que acontece aos borbotões no dia-a-dia das unidades básicas de saúde.

Sustentabilidade significa atendimento humanizado, com o tempo adequado para escutar as queixas dos pacientes, mas expressa também o cumprimento das orientações prescritas, pois não bastam prescrições extensas de medicamentos para cada um dos sintomas apresentados, se o paciente não seguir com a dieta solicitada, não atender aos pedidos de fazer uma atividade física regular, entre outras demandas, nenhum remédio será eficaz sozinho, nenhum exame, por mais aprimorado que seja, será capaz de impedir a progressão de patologias crônicas e degenerativas, presentes com mais freqüência em uma população que alcança alturas recordes de longevidade.

Faz-se vital pensar em soluções com esse grau de resolutividade, sob pena de vermos nossos recursos se esvaírem em pouco tempo e a saúde ser apenas uma meta constitucional, sem a menor possibilidade de ser alcançada.

Fonte: http://doutorleon.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cidades sustentáveis são essenciais para eficiência de recursos

 

Transformar a infraestrutura urbana, tornando-a mais limpa, eficiente e sustentável, pode estimular o crescimento econômico verde e ajudar a erradicar a pobreza, diz relatório da ONU apresentado nesta quinta-feira.

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Atualmente, cerca de 75% dos recursos naturais do mundo são consumidos em áreas urbanas, e a proporção da população global que vive em cidades deve subir para 70% até 2050. Além disso, essas regiões são responsáveis por grande parte da degradação e poluição gerada no planeta, tornando sua relação com os recursos e ecossistemas nada sustentável.

Para mudar essa situação, um documento publicado pelas Nações Unidas nesta quinta-feira em Nairóbi, no Quênia, afirma que é necessário investir em infraestruturas sustentáveis e tecnologias eficientes em recursos nas cidades, a fim de incentivar um crescimento econômico com menor degradação ambiental, redução da pobreza, cortes nas emissões de gases do efeito estufa e melhoria do bem-estar.

O relatório, intitulado ‘City-Level Decoupling: Urban Resource Flows and the Governance of Infrastructure Transitions’ (algo como Dissociação em nível urbano: fluxos de recursos urbanos e a governança de transições de infraestrutura), declara que, para atingir a sustentabilidade para todos, é necessário dissociar as taxas de crescimento econômico das cidades do consumo insustentável dos recursos naturais finitos, que até agora caracteriza a maior parte do desenvolvimento urbano ocorrido.

“Até agora, a tendência para a urbanização tem sido acompanhada pela crescente pressão sobre o meio ambiente e o aumento dos números da pobreza urbana”, colocou Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no lançamento do estudo.

Segundo o texto, para ocorrer essa transformação deve haver mais esforço por parte de governantes, empresas e sociedade, pois à medida que o preço dos recursos naturais continua a aumentar, fica cada vez mais difícil manter um padrão de desenvolvimento sustentável. Caso isso não aconteça, poderá haver sérias implicações econômicas e ambientais para as futuras gerações.

Isso porque, de acordo com a pesquisa, muito da infraestrutura que será futuramente necessária nas cidades, incluindo 60% das edificações exigidas para atingir as necessidades da população urbana mundial até 2050, ainda precisam ser construídas.

Para chegar a essas exigências, as cidades precisariam de um investimento calculado em US$ 40 trilhões entre 2000 e 2030 para a criação de novas infraestruturas urbanas – principalmente nos países em desenvolvimento – e para a adaptação das instalações existentes.

“Cidades mais antigas podem ter que adaptar e substituir infraestruturas ineficientes com as quais estiveram presas por décadas para atingir essa dissociação, mas cidades mais novas e em crescimento têm a vantagem da flexibilidade. Elas podem ‘acertar’ de primeira”, explicou Joan Clos, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat).

Mas ao mesmo tempo em que o relatório aponta os atuais e potenciais problemas desse desenvolvimento urbano insustentável, reconhece que essa situação oferece grandes oportunidades de canalizar fundos para infraestruturas mais sustentáveis que reduzam as emissões de carbono, melhorem a produtividade de recursos e criem novas estratégias de desenvolvimento urbano.

Felizmente, há cidades que já estão aproveitando essas oportunidades, como é o caso de Lagos, na Nigéria. A cidade introduziu o sistema Veículo leve sobre pneus (Bus Rapid Transit – BRT) para resolver problemas crônicos de congestionamento e poluição.

O sistema, apoiado pelo Banco Mundial e investidores privados, contribuiu para uma queda de 13% nas emissões de carbono do transporte urbano, e a rota de cerca de 25% dos passageiros que utilizam o serviço foi reduzida em até 50%.

Outro exemplo é a área central de Singapura, que está implementando um plano para reduzir o consumo nacional de água em cerca de 10% até 2030. Tecnologias avançadas são usadas para tratar as águas residuais e os esgotos, que se tornam seguros para beber e podem ser reutilizados pela indústria.

As águas residuais tratadas podem chegar a 30% das necessidades hídricas de Singapura até 2030, e investimentos em usinas de dessalinização, consertos em vazamentos de tubulações e outros esforços podem ajudar o país a atingir sua meta de 10%.

O documento também mostra casos aqui no Brasil, como o do programa Lixo que não é Lixo, de Curitiba. O projeto incentiva a separação de resíduos em recicláveis e não recicláveis através, por exemplo, da troca de lixo reciclável por passagens de ônibus ou por produtos alimentícios para comunidades carentes.

A iniciativa estendeu o tempo de vida dos aterros sanitários da cidade, evitando o despejo de 2.400 m3 de resíduos recicláveis a cada dia, o que representa cerca de 25% da produção diária de lixo. Outro exemplo brasileiro é a cidade do Rio de Janeiro, que tem investido em reflorestamento para restabelecer os aquíferos necessários para o abastecimento hídrico da cidade.

Por fim, o estudo faz algumas recomendações para que o desenvolvimento de infraestruturas mais sustentáveis seja potencializado: investimentos governamentais na criação de estratégias sustentáveis , infraestruturas de baixo carbono e desenvolvimento urbano eficiente em recursos; investimento em pesquisas sobre o uso de recursos; especificação de metas para uso eficiente de recursos; estímulo a atividades , tecnologias, bens e serviços de baixo carbono, eficientes e verdes; e envolvimento do setor privado em investimento e compartilhamento de experiências.

“Existem oportunidades únicas para as cidades liderarem a ecologização da economia global através do aumento da produtividade e inovação de recursos, enquanto atingem grandes economias financeiras e enfrentam desafios ambientais. Embora muitas cidades estejam aproveitando essas oportunidades, uma visão holística para os centros urbanos do futuro ainda está faltando”, concluiu Steiner.

“Quando olhamos para os crescentes gastos em infraestrutura urbana pelo mundo, precisamos nos perguntar: que tipo de cidades do futuro estão previstas pelos projetistas e construtores dessas novas infraestruturas? Essas infraestruturas estão preparando cidades [...] para futuros mais justos e eficientes em recursos? Ou estão apenas fixando concreto [...] com um modo de planejamento urbano do século XIX que precisará ser desmantelado daqui a 10 ou 20 anos?”, questionou Mark Swilling, um dos coautores da pesquisa.

Fonte: CarbonoBrasil.

sábado, 18 de maio de 2013

Centro educacional sustentável é construído nos EUA

 

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O Crissy Field é um centro de educação ambiental construído em São Francisco, EUA. O local, construído de acordo com as normas da certificação LEED, é direcionada ao ensino de crianças e jovens. A sustentabilidade está presente em cada detalhe do edifício e no conteúdo ministrado.

O projeto é fruto do trabalho de três instituições diferentes. O escritório MK Think foi o responsável pelo desenho do prédio, enquanto a Fisher Development cuidou do desenvolvimento e a Project Frog fez a ideia ganhar vida através de toda a construção.

O Crissy Field levou apenas nove meses para ser projetado e erguido. Agora os responsáveis pelo projeto estão aguardando o processo para a obtenção do selo LEED Platina, o nível mais alto que uma construção pode ter em qualidade ambiental.

O espaço abriga salas de aula de alta performance, um laboratório de ciências, escritórios e um café. O prédio é considerado inteligente pelas tecnologias aplicadas para otimizar o desempenho econômico, ambiental e humano, conforme informado pela MK Think, empresa responsável pelo projeto.

A estrutura tem a maior parte de suas paredes feita em vidro, o que proporciona abundante iluminação natural. Além disso, ela foi erguida com a utilização de materiais com baixo teor de componentes orgânicos voláteis. Para reduzir o impacto da utilização do complexo, ele foi equipado com sistemas de produção de energia fotovoltaica e eólica.

Todo o centro educacional ocupa uma área de 2.250 metros quadrados e não possui ar-condicionado. Para compensar a não utilização desta tecnologia, os arquitetos aproveitaram a implantação de um telhado verde, muitas janelas e um isolante térmico. A água da chuva é reaproveitada e responsável por suprir 85% da demanda utilizada para lavar os banheiros.

Fonte: Ciclovivo

sábado, 11 de maio de 2013

Criando bebês sustentavelmente

 

A chegada de um bebê é um evento que mexe com a rotina de qualquer família. É mamada para cá, fralda para lá, e quando a gente percebe está gerando uma quantidade de lixo bem maior, gastando mais energia elétrica, água… A intenção desse post não é tentar convencer você, leitor, a mudar radicalmente seus hábitos para minimizar o impacto que seu bebê causa no ambiente. E sim mostrar que, com pequenos cuidados, todo mundo pode colaborar para um futuro mais verde. Tenho certeza de que seu filho um dia irá agradecê-lo! Então aqui vão algumas dicas de sustentabilidade para as mamães e papais:

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- O peito é sustentabilidade pura! O leite materno, além de ser nutricionalmente tudo o que seu bebê precisa nos primeiros meses, é fonte de alimentação verde para seu bebê. Lembre-se de que ele não exige processamento industrial, empacotamento e transporte.

- Quando seu filho começar a alimentação sólida, prefira os alimentos orgânicos (que não usam pesticidas em sua lavoura) e da estação (que não exigem grandes estufas para recriar condições climáticas diferentes).

- Já que estamos falando de alimentos verdes e saudáveis, que tal fazer uma hortinha na sua casa? Não precisa ser nada difícil de fazer, um tempero ou uma raiz já estão valendo!

- O processo de produção da indústria têxtil provoca grande impacto ambiental. Prefira roupas orgânicas ou reutilize as roupinhas do irmão mais velho, ou dos bebês da família e de amigos. Uma visita ao brechó também é boa pedida (inclusive para o seu bolso!),

- Reaproveitar os brinquedos das crianças próximas evita que mais plástico seja produzido. No meu condomínio, por exemplo, um vizinho passa os brinquedos para o outro, e quando percebemos, já estavam todos brincando juntos. Uma delícia!

- Ligue a máquina de lavar roupas apenas quando estiver cheia. E se você deixar as roupinhas de molho antes, não precisará usá-la no modo de água quente. Antes que você pergunte, lavar com água quente não elimina bactérias; seria necessário que a água atingisse o ponto de fervura para que isso acontecesse.

- Mostre para seu filho desde cedo sua preocupação ambiental. Criar crianças preparadas para um mundo mais sustentável é dever de todos nós. E lembre-se: não adianta só falar, é preciso dar o exemplo!

E você, tem alguma dica de sustentabilidade para as outras mães? Conta pra gente, deixe seu comentário aqui!

Fonte: http://www.mildicasdemae.com.br/

sábado, 13 de abril de 2013

Sustentabilidade depende de mudanças no comportamento humano

 

Painel realizado na CICI2011 mostrou que não somente de tecnologias viverá o planeta, mas do comportamento humano isolado e em grupos para novas soluções

Pensar um mundo diferente e sustentável não depende apenas de novas tecnologias, mas sim de mudanças de comportamento humano. Esse foi um das principais temas tratados pelo Engenheiro de Produção Social em Nova York (EUA), Shaun Abrahamson, no painel "Crowd e a pegada ecológica", que aconteceu nesta quarta (18), durante Conferência Internacional de Cidades Inovadoras - CICI2011.


Para Abrahamson, a sustentabilidade tem duas frentes: a tecnologia e as pessoas. "Em todo o mundo existem diversas tecnologias criadas e sendo desenvolvidas. Esse é um dos focos da sustentabilidade. O outro é que devemos evoluir no comportamento humano, pensando em soluções possíveis de se aplicar em grupos de pessoas", disse ele.
O painel mostrou também que é preciso entender mais de gente, do que motiva o ser humano a desenvolver uma causa, a se unir em grupos, mudar o comportamento social e buscar soluções. "Essa questão pode ser um sistema de ideias e recompensas. Uma forma de evoluir, buscando a colaboração das pessoas e fornecendo benefícios, como créditos ou reconhecimento de alguma forma", revelou Abrahamson.

Ele citou como exemplo o caso da companhia de café Starbucks, empresa mundial que investiu em uma campanha de redução de uso de copos plásticos. "A solução é simples. A pessoa leva seu copo, evita fila e ainda após dez cafés, ganha um", conta.

Pessoas que não são especialistas em determinado assunto podem ajudar com novas ideias, através de ferramentas colaborativas, de interação social. O desafio é entender o que levam pessoas em grupo a pensarem em novas soluções de forma planejada e organizada.  Outro quesito importante nesse contexto são os valores humanos envolvidos e o aproveitamento de talentos, tecnologias e inovação. A busca por um modelo de sustentabilidade ideal está muito ligado a como as pessoas interagem em grupo e como se comportam, levando a um entendimento maior do ser humano e em como podemos evoluir na sociedade.

Realizar mais pesquisas sobre o comportamento do ser humano no dia-a-dia também pode ser uma das alternativas para entender a reação de pessoas em grupo e solucionar problemas da sociedade ligados a sustentabilidade econômica e ambiental.

"Ao longo do tempo as pessoas estão aprendendo e querendo trabalhar com sistemas mais colaborativos, mas ainda é uma incógnita a forma como elas podem reagir quando em grupos", afirmou. Abrahamson acrescentou ainda que quanto mais soubermos sobre o ser humano, mais vamos entender como reagimos em conjunto na busca das melhores soluções no planeta.  

Fonte: http://www.cidadesinovadoras.org.br/

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O que é sustentabilidade?

 

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Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.


Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.


A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro.

Fonte: http://www.sustentabilidade.org.br/

quarta-feira, 3 de abril de 2013

SUSTENTABILIDADE NA SAÚDE

 

Segundo R. Braun, “o desenvolvimento sustentável representa um processo voltado para a busca do equilíbrio interior de cada um de nós rumo a um mundo melhor, e para galgarmos patamares superiores de consciência coletiva e estruturação social teremos que exercitar o crescimento interior de indivíduo para indivíduo”. Para tanto, consideramos de importância fundamental que possamos ter o direito de reivindicar um atendimento mais humanizado em Saúde, com resultados menos iatrogênicos. Isto só será possível por meio da conscientização de alguns aspectos do modelo oficial de Saúde:

1º- Estudar, discutir e ter uma clara compreensão da atual visão dominante do mundo, a qual é determinada por paradigmas sociais que representam os valores, crenças, hábitos e normas coletivas que formam o quadro de referência para a sociedade (Devall e Sessions –1985).

2º- Estudar, discutir e ter uma clara compreensão das ações e pensamentos do mainstream (fluxo principal do sistema em que vivemos )

3º- Corrigir a atual visão restrita do mundo, a qual tem levado a um desequilíbrio de nossos pensamentos e sentimentos, valores e atitudes e de nossas estruturas sociais e políticas (Capra, 1982)

Na saúde, o Paradigma Básico adotou como definição oficial de Saúde uma sensação de bem- estar físico, mental e social, a ausência de sensações de mal-estar, ou seja, ausência de sintomas, e com este princípio promove toda a atuação voltada à cura em todas as instâncias, instituições e ministérios de saúde. Este conceito surgiu nas suposições gerais da Europa medieval, onde, por desconhecimento do ser humano, SINTOMAS como a dor, a febre e outros passaram a ser considerados como doenças. Buscaram-se intuitivamente, então, elementos para eliminar estes sintomas, cujos desdobramentos resultaram na identificação da saúde como a ausência destes.

Do final do século XIX ao início do século XX, com o desenvolvimento e crescimento da indústria química, dos subprodutos do petróleo, a poderosa e multimilionária indústria petrolífera começou a desenvolver químicos cada vez mais potentes que bloqueassem sintomas. Baseado nesta verdade esta nascente vertente da indústria petroquímica (a partir daí denominada farmacêutica) criou padrões e normas baseados em técnicas e raciocínios exclusivamente químicos e com experimentações baseadas em intoxicações repetíveis em animais de laboratório, as quais podiam confirmar os seus - e apenas os seus – experimentos. A seguir impôs-se economicamente (e não cientificamente) estas técnicas como a base ou verdade científica sobre as quais todas as outras técnicas deveriam se reportar e comprovar.

Como resultado desta APROPRIAÇÃO INDÉBITA DA VERDADE, temos atualmente consideradas não científicas e desqualificadas como curandeirismo ou esoterismo todas as técnicas vibracionais ou frequenciais que para atuar utilizam-se de princípios da Física, e não da Química, assim como todas as técnicas que não podem sofrer experimentação em animais de laboratório, como as que dependem de sensações ou emoções exclusivamente humanas e que, apesar de não passarem por testes com milhares de cobaias, apresentam uma experiência clínica estatisticamente comprovável com milhares de pessoas.

O PARADIGMA OFICIAL DE SAÚDE é totalmente anti-humanitário, anti-recuperação das funções orgânicas e antieconômico (para as pessoas, os profissionais da área de Saúde e os governos, mas não para a indústria de medicamentos e aparelhagem diagnóstica e cirúrgica) hoje baseado no poder das grandes indústrias farmacêuticas com seus lucros exorbitantes e sua influência em investimentos pesados, em midia, e a sua influência sobre os profissionais de Saúde determinando as medicações e terapêuticas que devem ser utilizadas quando em pesquisas feitas por elas mesmas, o que, obviamente, significa resultados parciais.

O NOVO PARADIGMA em Saúde deve ser discutido e decidido levando em consideração as terapias sistêmicas, integrais, complementares, vibracionais, energéticas ou sutis que tratam e resgatam valores, filosofias, estilos de vida e saberes que são próprios de cada um e de todo habitante de Gaia, pensado numa relação da interconectividade com os outros seres que habitam o planeta. Também considerando a estimativa dos cientistas que 79 % da população mundial depende de fontes exclusivamente naturais para o tratamento de enfermidades elencamos alguns pontos prioritários para alcançarmos o tão almejado desenvolvimento sustentável:

1º- Que Saúde é o funcionamento adequado, equilibrado, do organismo e do ser, em harmonia – ecologia interna -, sem intoxicações exógenas ou endógenas, sem estresses químicos, mecânicos, eletromagnéticos, econômico-culturais, que possamos viver em um ambiente sócio-cultural que permita ao indivíduo um crescimento interior e a busca pela alegria de viver.

2º- O tratamento das doenças deve se dar por meio de técnicas que propiciem uma correção das funções celulares e orgânicas, de desintoxicação orgânica, do desbloqueio e modulação (regulação) das estruturas e funções das células, orgãos e sistemas além da correção e das suas funções interativas e integrativas.

3º- Que o ser humano seja considerado como um ser com estruturação e múltiplos sistemas de controles e homeostases (químico – hormonal, elétrico–neurológico,eletro-magnético, órgãos dos sentidos e meridianos,além dos fatores mentais, emocionais, memoriais, arquetípicos etc.) e que todos estes fatores devem ser levados em consideração e avaliados pelo profissional de Saúde, com conhecimento, para determinar a(s) técnica(s) que o paciente necessita para sua recuperação.

4º- Desenvolver e implementar uma formação inter e transdisciplinar dos profissionais de Saúde para que estes possam se habilitar da melhor forma possível dentro do Novo Paradigma para tratar o seu paciente.

5º- Patrocinar o desenvolvimento de pesquisas científicas fora dos pressupostos reducionistas presentes no dualismo cartesiano, utilizando-se padrões múltiplos, e integrando técnicas como a Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Fitoterapia, Homotoxicologia, Antroposofia, Ayurvédica,Terapia Floral, Bioressonância, Psicoterapias (todas as abordagens), técnicas vibracionais, técnicas manipulativas, técnicas naturistas, técnicas corporais, nutrição) além da Alopatia.

6º - Respeitando a particularidade de cada indivíduo e seu meio étnico e geográfico.

7º- Criar sistemas públicos de saúde e estruturas clinico-hospitalares a partir de pesquisas e discussões baseadas nestes novos Paradigmas.

Finalmente, a distribuição dos recursos monetários, humanos e tecnológicos para o estudo e implementação das ações definidas acima devem ser realizados segundo princípios inter e transdisciplinares, ou seja, pela participação com igual direito de discussão, participação, pesquisas e comprovação de TODAS as técnicas terapêuticas ou associadas que existam, e não apenas aquela denominada Alopática, como atualmente é feito.

Este artigo é uma síntese do relatório da Oficina no II Fórum Social Mundial de 2002 em Porto Alegre-RS intitulada “Outro Mundo/ Outras Terapias”, organizada pelo IPETRANS – Instituto de Pesquisas Transdisciplinares com a coordenação do autor e relatoria da antropóloga e Profª da UNESP, Elda Rizzo de Oliveira, a quem agradecemos de coração.

Eduardo Sejanes Cezimbra, cirurgião-dentista homeopata

Fonte: http://www.ecomedicina.com.br