segunda-feira, 30 de junho de 2014

Dieta absolvida: Conselho Regional de Nutricionistas publica parecer sobre dietas vegetarianas

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Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas
Janeiro de 2012
www.nutriveg.com.br


Aqueles que lutam ativamente pelo veganismo e pelos direitos animais sabem que raramente temos uma conquista a comemorar. Elas existem, mas a uma razão inferior a uma conquista para cada cem lutas. Algumas levam anos, outras levam décadas. Hoje, 20 de janeiro de 2012, é uma dessas datas em que podemos comemorar uma conquista que exigiu quase duas décadas de trabalho.


O Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região (CRN-3), que orienta e fiscaliza a profissão dos nutricionistas nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, acaba de divulgar o seu parecer referente às dietas vegetarianas, ou “Vegetarianismo”, como eles preferiram intitular o documento. Nele, o CRN-3 admite e recomenda que 1) a natureza biológica do ser humano o permite escolher o que comer; 2) é possível atingir a adequação nutricional com dietas vegetarianas desde que observados alguns cuidados; 3) as dietas vegetarianas podem ser adotadas em qualquer ciclo da vida e; 4) cabe ao nutricionista orientar o indivíduo visando a promoção da sua saúde. Note que o papel do nutricionista é orientar, e não julgar, a opção do indivíduo. A recomendação é apenas para que seja dada atenção a aspectos psicológicos e socioculturais no processo de atenção dietética.


Mas isso não é nada mais do que o óbvio, certo? Afinal, o que há para comemorar? Enquanto essas recomendações do CRN-3 possam parecer (e deveriam parecer) nada mais do que senso comum até mesmo para o público leigo, nem sempre foi assim entre os profissionais nutricionistas e especialmente entre os membros desse órgão que regulamenta a profissão, que já impôs algumas barreiras ao exercício profissional daqueles que optaram por orientar os seus pacientes com base em uma dieta vegetariana. Ilustrarei essa dificuldade contando a minha trajetória de relacionamento com esse órgão e as instituições acadêmicas que formam os profissionais da área da nutrição.
Foi em 1994, quando ingressei na faculdade de nutrição, que dei início aos meus estudos “oficiais” sobre nutrição vegetariana. Antes disso, eu já estudava o tema de maneira informal e faça experiências pessoais com algumas de suas vertentes, como a macrobiótica e o higienismo. Diferentemente dos estudos particulares, onde as fontes de pesquisa eram favoráveis ao que se buscava, durante os o primeiro ano de faculdade tudo o que encontrei foi resistência na discussão da nutrição vegetariana e logo compreendi que a expectativa não poderia ser diferente já que o tema era tão desconhecido por parte dos professores e dos alunos que chegava a ganhar status de tabu dietético. A solução imediata para continuar os meus estudos foi ir buscar informação no exterior, onde tanto a pesquisa quanto os órgãos reguladores da profissão já haviam atingido um patamar mais avançado do que esse que agora, 18 anos depois, estamos apenas adentrando.


Já no segundo ano da faculdade (1995) dei início à publicação de um periódico _____ intitulado Segunda Opinião, que trazia uma visão diferente sobre a nutrição, discutindo o tema da nutrição vegetariana e dos direitos animais. Foi a partir dessa publicação, baseada em pesquisas científicas em uma era pré-internet, que passei a ganhar alguma atenção com seriedade, podendo debater o tema diante de certo respeito por parte do corpo docente, que alternava entre pedir mais referências bibliográficas sobre o assunto e me alertar que o CRN não permitiria que, depois de formado, a minha atuação fosse voltada para as dietas vegetarianas, esse “modismo da vez” que não combinaria com a postura de um profissional de saúde.


Sobrevivi a todos os percalços caracteristicamente enfrentados por um aluno que vai contra o conhecimento estabelecido pela academia, que são justamente aqueles que no futuro contribuem para o avanço da mesma. Por ser vegano desde o início da faculdade, recebi nota zero nas aulas práticas por me recusar a degustar os pratos que continham produtos de origem animal (o que não resultava em um impedimento de fato porque a nota era facilmente compensada pelas notas máximas nas provas teóricas). Infelizmente, eu desconhecia o conceito de Objeção de Consciência naquela época, ou teria recorrido ao meu direito de não participar das aulas práticas. Escutei com bom humor às recomendavam para que eu formasse a minha própria seita para conseguir atuar profissionalmente (recomendação essa que acatei fielmente) e sobrevivi à recusa do tema do meu trabalho de conclusão de curso (TCC), que ra sobre “a adequação nutricional das dietas vegetarianas”, recusado sob o pretexto de que não haviam fontes bibliográficas suficientes, apesar de o projeto do trabalho conter mais de uma centena delas. Com a cooperação de uma das professoras, o trabalho acabou sendo levado como trabalho de estágio, e por fim foi tão apreciado que fui convidado a apresentá-lo no auditório juntamente com os TCCs dos outros alunos.


Devidamente contrabandeando para o local onde deveria ter estado desde o princípio, tanto o trabalho quanto eu fomos devidamente achincalhados pela banca examinadora, com direito a uma intervenção por parte do professor de anatomia e patologia, que sequer fazia parte da banca examinadora e quebrando totalmente o protocolo tomou o microfone (e o palco) para apresentar a sua própria versão sobre o tema. No momento, isso não fez a menor diferença no resultado já que o meu TCC “oficial”, sobre algum tema qualquer sem a menor relevância para o conhecimento científico, já havia sido apresentado e aprovado. Mas a reação da banca e do professor tiveram um valor já que, observando tão exclusiva e explosiva reação por parte do corpo docente, tive a certeza de que essa apresentação seria um sucesso, ou uma polêmica, em outras faculdades e por isso a mantive e a aprimorei, levando-a para outras faculdades e congressos de nutrição por muitos anos seguintes.


Liberto da forma mais enrijecida de preconceito acadêmico que é aquele que predomina na graduação, onde os alunos são moldados para aprender o que devem e não devem pensar, encontrei uma maior (mas não grande) abertura no campo da pesquisa científica.
Fui co-autor de trabalhos de pesquisa científica acerca do tema da nutrição vegetariana em instituições respeitadas como o Instituto do Coração (InCor) com direito a publicação em revistas científicas internacionais de medicina. Esses trabalhos sempre tiveram mais aceitação nos congressos no exterior. No Brasil a aceitação se mostrou mais fácil em congressos médicos do que em congressos de nutrição. Já no exterior, onde são realizados congressos científicos de alguns dias de duração com temática dedicada integralmente à nutrição vegetariana, a aceitação é maior. Afinal, em alguns países os órgãos equivalentes ao nosso Conselho Federal de Nutrição (CFN) já têm publicado há mais de duas décadas pareceres favoráveis à adequação nutricional das dietas vegetarianas.
Nos últimos anos, os congressos de nutrição no Brasil passaram a dar mais abertura para palestras sobre o tema, mas nem tanto para publicações científicas. A explicação para isso é que as palestras têm menor peso científico nos anais do congresso e por isso são mais bem aceitas para a apresentação de temas “polêmicos”. Elas trazem público ao congresso, de certa forma informam, mas não exatamente agregam ao conhecimento científico. Ou seja, do ponto de vista científico, têm menor significado, pendendo para a curiosidade ou opinião individual com menos efeito para sedimentar um conceito, por isso a maior aceitação por parte da academia quando o tema são as dietas vegetarianas, pois essa forma de apresentação oferece um risco menor.


É fundamentada em publicações científicas e não em palestras, por exemplo, que uma comissão dentro de um conselho profissional como é o caso do CRN-3 pode emitir um parecer como o atual. Felizmente, nesse ano assim o fizeram, mas essa conquista é fruto de muitos anos de trabalho e perseverança já que nem sempre foi assim. Mais adiante voltarei a falar do CRN-3 de mais de uma década atrás.


Com mais publicações científicas, e maior atenção da mídia, também fruto de um trabalho intenso de muitos anos levando informação aos veículos de comunicação e quebrando preconceitos também nessa área, as faculdades de nutrição passaram a olhar com melhores olhos para o tema da nutrição vegetariana, levando a discussão aos alunos que, percebendo em seu próprio convívio o crescimento no número de vegetarianos, sempre se mostraram muito receptivos às apresentações. Em 2006 surgiu na UNASP o primeiro (e até essa data o único) curso de pós-graduação a dedicar uma disciplina inteira, ou mais de uma, ao tema da nutrição vegetariana. Juntamente com a colega nutricionista Dra. Márcia Martins, criadora do curso e também autora de diversas publicações científicas relacionadas ao tema, tenho a honra de fazer parte do corpo docente do referido curso, que até hoje continua sendo ministrado na universidade.


Havendo certa autonomia na comunidade científica, também outorgada enquanto professor, essa mesma autonomia não é gozada em todas as áreas da atuação profissional do nutricionista. Tendo encerrado o período da faculdade em 1997, dessa forma não tendo mais que prestar satisfação aos professores; tendo conquistado aceitação das palestras em faculdades e para o público em geral e; inserido nas instituições de pesquisa com aceitação dos trabalhos científicos no Brasil (em menor grau) e no exterior (em maior grau), agora seria a vez do CRN-3 (esse mesmo que hoje reconhece a viabilidade das dietas vegetarianas) buscar tolher a minha atuação profissional aparentemente “subversiva”. Por meio de processos disciplinares, sabatinas e convocações intimidatórias para dar explicações sobre a minha atuação profissional na qual recomendo dietas vegetarianas, sempre sob a pressão de penalidades que variam de uma simples advertência até a suspensão permanente do direito de exercer a profissão, eu mantive a posição que sempre defendi e na qual me especializei desde o início da faculdade, que é a da viabilidade e superioridade nutricional de uma dieta vegetariana.


O primeiro processo foi iniciado pelo CRN-3 em 2003 e culminou na proibição do uso da assinatura que acompanhava os meus comunicados e impressos: “Dr George Guimarães, nutricionista especialista em dietas vegetarianas”. O argumento do CRN-3 foi o de que não havia tal especialidade dentro da nutrição, que além do mais não aceitava as dietas vegetarianas como sendo adequadas à nutrição humana. Não tendo outra opção se não a de acatar ao pé da letra a determinação do Conselho Regional de Nutricionistas, assim o fiz, ao pé da letra, exatamente como constava no documento e desde então passei a assinar como “nutricionista especializado em dietas vegetarianas”, que se analisarmos de maneira minuciosa podemos concluir tratar-se de um termo (quase) diferente daquele que constava no documento com a determinação do CRN-3. Por algum motivo, a provocação não foi aceita e assim tenho mantido a nova assinatura.


Mas não faltaram motivos para novas denúncias, novos inquéritos e novos pedidos de explicações, sempre sob a ameaça das punições disciplinares cabíveis. O último processo disciplinar foi aberto em 2011, poucos meses antes de ser admitido pelo mesmo órgão, na data de hoje, a viabilidade nutricional das dietas vegetarianas desde que observados alguns cuidados especiais, melhor ainda, desde que orientadas por um nutricionista que seja “especializado” no assunto (com perdão do uso do termo subversivo), que na data da publicação do documento de absolvição só existem porque conseguiram sobreviver à caça às bruxas da nutrição vegetariana no país.


Portanto, vamos comemorar! Mas comemorar o que? O que muda, afinal? Naturalmente, não é só porque o CRN-3 finalmente admite a viabilidade das dietas vegetarianas que os nutricionistas que estão formados ou em formação ganharão uma consciência imediata sobre o respeito devido aos pacientes vegetarianos ou um conhecimento suficiente para prestar uma boa orientação nutricional. Mas a publicação desse parecer impulsionará as faculdades a incluírem o tema em seus currículos e, sobretudo, deixará claro para os profissionais nutricionistas que eles não mais poderão desencorajar um paciente que chega ao seu consultório com a opção de uma dieta vegetariana sob o pretexto de essa ser inviável do ponto de vista nutricional. Todos os meus pacientes, sem exceção, são vegetarianos, protovegetarianos [1] ou estão em transição para uma dessas modalidades e cito como exemplo da desinformação e preconceito por parte de outros profissionais o fato de que cerca de 50% deles chegam ao meu consultório depois de já terem passado por outros nutricionistas. Eles decidem procurar uma orientação especializada depois da péssima experiência que tiveram com os seus nutricionistas convencionais, que em geral os desestimulam a adotar uma dieta vegetariana, chegando ao ponto de amedrontá-los em relação aos supostos riscos “irremediáveis” aos quais estarão sujeitos caso decidam insistir continuar com a sua opção alimentar. Ora, salvo em caso de distúrbio alimentar com causa psicológica, o papel do nutricionista é o de orientar o paciente de modo a obter uma dieta balanceada dentro da sua opção de estilo alimentar, não sendo o seu papel desencorajá-lo quando essa opção é viável do ponto de vista nutricional somente porque essa opção não está de acordo com as crenças filosóficas do nutricionista, ou ainda porque lhe falta o conhecimento necessário. Esse é o caso na maioria das vezes e a responsabilidade é da faculdade de nutrição, que dá pouca ou nenhuma importância ao tema na formação dos profissionais que em poucos anos estarão frente a frente com um paciente vegetariano que o procurará em busca de orientação.


Na prática, ao menos no meu entendimento, agora com a publicação desse parecer os nutricionistas (ao menos por hora aqueles que atuam nos estados de abrangência do CRN-3), estariam vedados a desencorajar um paciente em sua opção por uma dieta vegetariana. Chego a essa conclusão por mera reciprocidade, uma vez que antes desse novo entendimento sobre a viabilidade das dietas vegetarianas os nutricionistas que optavam por orientar os seus pacientes com base em uma dieta vegetariana eram questionados. Se agora o entendimento é o de que as dietas vegetarianas são viáveis, seria uma infração desestimular um paciente a adotá-las sob a justificativa da sua “inviabilidade” nutricional? Esse entendimento não cabe a mim, mas sim ao CRN-3, mas trago esse arrazoado apenas para apontar que essa inversão deverá motivar os nutricionistas a estarem mais atentos e respeitosos diante da opção de seus pacientes vegetarianos, e possivelmente permitirá a alguns pacientes recorrerem ao CRN-3 para denunciar os nutricionistas que desrespeitarem a sua opção alimentar.


Por fim, devo dizer que estou tendo dificuldade de escrever esse texto sem me vir à mente a letra de uma música da banda IRA!, que diz: “Eu tentei fugir / Não queria me alistar / Eu quero lutar / Mas não com essa farda”. Não desertei a profissão nos últimos 18 anos por estar convicto de que a minha atuação (apesar de na sua forma especializada não ser ampla e oficialmente aceita pelos órgãos reguladores da profissão) sempre serviu ao real propósito que guia essa nobre profissão, que é o de levar conhecimento e orientação para a promoção da saúde independentemente da opção filosófica do indivíduo. Enquanto eu vista muitas fardas diferentes no meu dia-a-dia, agora posso dizer que me orgulho dessa nova farda, reformada graças à clareza e boa vontade do Colegiado 2011-2014 do CRN-3, ao qual parabenizo.


Estendo minhas congratulações a todos os colegas nutricionistas vegetarianos, que há duas décadas não passávamos de uma dezena e hoje já somos mais de uma centena, perseverando em nossa postura a despeito das intempéries que possamos ter enfrentado em nossa caminhada profissional. Estejam certos de que essa conquista é fruto também do trabalho de vocês. Continuemos lutando hoje para que possamos comemorar as conquistas das próximas décadas!


Saudações,
Dr George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas, desde 1997 atendendo exclusivamente a pacientes vegetarianos


[1] Leia a íntegra do parecer divulgado pelo Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região em 20 de janeiro de 2012 no endereço http://www.nutriveg.com.br/parecer-do-crn-3-sobre-dietas-vegetarianas-2012.html
[2] O CRN-3 errou ao utilizar o termo “dieta vegana”. Por ser o veganismo um estilo de vida e não um estilo alimentar, não existe uma “dieta vegana”, e sim uma dieta vegetariana, que é a dieta adotada pelo vegano. Apesar de serem comumente usados os termos “dieta vegana”, “dieta ovolactovegetariana” etc, inclusive em textos de minha autoria anteriores a 2010 ( http://nutriveg.com.br ), essa terminologia foi recentemente revisada. De acordo com o termo original criado no século XIX, revisado e resgatado em 2010 pela Sociedade Vegana (http://sociedadevegana.org ), uma dieta vegetariana é aquela que é composta em sua totalidade por alimentos vegetais. As dietas que mantêm algum derivado animal como os ovos ou laticínios são chamadas “dietas protovegetarianas”. Com isso, os termos usados em alguns trechos do texto com o parecer do CRN-3 estão incorretos, pois de acordo com essa revisão da terminologia o termo “dieta vegana” é inexistente e o termo “dieta vegetariana estrita” é redundante haja vista que o termo “dieta vegetariana” já é restritivo ao excluir todos os alimentos de origem animal. Já o veganismo é a expansão do vegetarianismo (estilo dietético livre de quaisquer produtos de origem animal) para abranger outros aspectos do estilo de vida, como o vestuário, por exemplo.

domingo, 1 de junho de 2014

Nada de desperdício

 

Resíduos alimentares garantem receitas originais

Aquilo que aparece só no final da produção industrial pode ser o ponto de partida na elaboração de itens nutritivos, mais baratos e sustentáveis. Quem comprovou isso foi Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro. Ele usou bagaço de cana de açúcar, cevada, casca de maracujá e arroz quebrado para preparar pães, biscoitos, sopas e bebidas. "A ideia é oferecer alternativas de uso ao produtor dos resíduos e ao consumidor", informa. Em casa, você pode fazer algo parecido, usando os alimentos integralmente. "Só precisa higienizá-los bem", alerta Amanda Buonavoglia, nutricionsita e personal diet, de São Paulo. A vantagem de usar cascas, por exemplo, é que elas geralmente são ricas em fibras, substâncias que auxiliam na redução do colesterol, proporcionam saciedade e ainda previnem alguns tipos de câncer. "Já as folhas são abastecidas de vitaminas e minerais", defende a especialista.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Proteína: como ter uma dieta saudável consumindo apenas proteínas vegetais

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por Vanessa Rosa

Este é um dos assuntos polêmicos do vegetarianismo. Inclusive ainda há muitos médicos que acreditam que não seja possível uma pessoa ter saúde sem consumir carne, justamente pela supervalorização das proteínas em relação à quantidade que deve-se consumir.

Uma vez levei um baita sermão de um médico que apelava para que eu fosse responsável e desse carne para meus filhos se gostaria que eles crescessem a contento, mesmo eu falando que meus filhos são saudáveis e que crescem dentro do esperado para a idade. Felizmente, eles têm um pediatra bastante sensato e atualizado. É muita falta de informação envolta deste assunto, recomendações baseadas em mitos, o que ocasiona tanta polêmica.

Eu nunca ofereci carnes para meus filhos e conheço outras crianças vegetarianas desde o nascimento que são saudáveis como eles. As proteínas são compostas por aminoácidos. Há 10 aminoácidos que são considerados essenciais, porque o nosso corpo não consegue produzi-lo, ou seja, é preciso ingeri-los em forma de alimentos para suprir essa deficiência.

É necessário consumir proteínas diariamente? Sem dúvida, sim. Após a água, as proteínas são o que mais encontramos no organismo, porque uma de suas funções é atuar na construção e recuperação das estruturas. Por isso, está presente nos músculos, tecidos, ossos, dentes, sangue e fluídos orgânicos. Elas têm outras funções no organismo, como transportar substâncias, contribuir para a coagulação sanguínea, contribuir na formação de anticorpos e de alguns hormônios e catalisar reações químicas (enzimas).

O vegetariano estrito consome quantidades suficientes de proteínas? Os aminoácidos essenciais estão presentes nas proteínas vegetais?

Primeiro é preciso entender quanto precisamos de proteínas.

Observe uma pirâmide alimentar para vegetarianos. É fácil perceber que estando as proteínas no terceiro andar da pirâmide não devemos consumi-las em excesso.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o organismo necessita de 0,8 g de proteínas por kg de peso (0,8 x o peso corporal) para os adultos e 1 g por kg de peso (1 x o peso corporal) para as crianças. Então, um adulto de 90 kg necessita de 72 g de proteína diária e uma criança de 25 kg precisa apenas de 25 gramas.

A recomendação é que as proteínas equivalham de 10 a 12% do valor energético total da dieta. Significa que numa dieta de 2.000 calorias diárias, apenas 200 a 240 calorias devem ser provenientes de proteínas.

Para facilitar ainda mais a compreensão veja este prato. Ele mostra como elaborar um prato vegetariano equilibrado.

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O nosso prato deve ser composto apenas de 20% de alimentos construtores, que são as proteínas. Isso significa que de um modo geral temos o hábito de consumir mais proteínas do que o necessário.

O consumo excessivo de proteínas traz algum prejuízo à saúde?

Esta é uma pergunta que poucos fazem. A preocupação geralmente gira em torno do medo que a falta de proteína pode causar. Um medo infundado, ao meu ver, diante da necessidade de consumir proteínas numa quantidade menor do que se imagina.

Consumir proteína em excesso pode trazer prejuízos consideráveis à saúde, mesmo sendo um nutriente tão importante para o nosso organismo.

Os principais impactos sobre a saúde são:

  • OSTEOPOROSE, devido à perda de cálcio corporal através da urina. Essa perda de cálcio ocorre porque a proteína animal aumenta a acidez do sangue, o que predispõe o organismo a utilizar componentes ósseos para neutralizar essa carga ácida.
  • SOBRECARGA RENAL, que pode levar a problemas como cálculos renais e até mesmo insuficiência renal. Durante o metabolismo das proteínas são produzidos alguns resíduos como ureia, creatinina e ácido úrico, que são tóxicos ao organismo e precisam ser excretados pela urina. Quanto mais proteína, mais esforço renal. A perda de cálcio na urina também aumenta o risco de cálculos renais.
  • Aumenta o risco de DOENÇAS CARDIOVASCULARES como aterosclerose, devido à elevação dos níveis de colesterol sanguíneo.
  • CÂNCER é outro problema relacionado ao consumo excessivo de proteína animal, devido a presença de altos níveis de hormônios de crescimento que estimulam a multiplicação de células cancerígenas.
  • A carne também é DEPRESSORA DO SISTEMA IMUNOLÓGICO, diminuindo um grupo de glóbulos brancos chamado natural killers que tem a função de destruir células estranhas, tais como o câncer.

Boas fontes de proteínas vegetais:

  • Leguminosas e seus derivados: feijões, lentilha, grão de bico, tremoço, fava, ervilha, soja.
  • Oleaginosas (castanhas): do pará (ou do Brasil), de caju, amêndoa, pistache, amendoim, avelã, nozes, pinhão.
  • Sementes: linhaça, chia, abóbora, gergelim, girassol.
  • Cereais e seus derivados: arroz, farinha, milho, aveia, trigo, centeio, quinua (tem uma combinação de aminoácidos parecido à combinação do arroz com feijão), amaranto (possui 9 dos 10 aminoácidos essenciais).

A combinação de leguminosas ou castanhas com cereais (de preferência integrais) é uma excelente fonte proteica, pois provê todos os aminoácidos essenciais.

Vejam alguns exemplos desta combinação:

  • O tradicional arroz com feijão;
  • Macarrão integral com ervilhas (podem ser adicionadas ao molho ou feitas à parte);
  • Torta ou assados: kibe com castanhas, assado de farinha de trigo integral com soja;
  • Pão integral com creme de amendoim;
  • Leite de amêndoas com aveia;
  • Croquete de nozes;
  • Almôndegas de lentilha com aveia.

O limite de pratos que dá para elaborar usando essas combinações é a sua criatividade. Então, dê asas à sua imaginação e crie novas combinações.

Aqui no Portal também há algumas receitas. Se ainda não tem o nosso e-book de culinária saudável clique aqui e solicite já.

A dieta original e ideal para o ser humano é a vegetariana, porque foi essa dieta que nos foi dada por Deus (leia Gênesis 1:29). Não duvide, Deus não nos daria uma dieta deficiente.

Uma dica muito útil é: procure variar os seus alimentos, assim você conseguirá suprir seu corpo com todos os nutrientes necessários.

E, para encerrar deixo dois princípios encontrados na Bíblia e no Espírito de Profecia:

1. Glorifique a Deus em tudo, inclusive ao se alimentar:

“Portanto, *quer comais quer bebais*, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” 1 Coríntios 10:31.

2. Tenha domínio sobre o seu apetite. Seja temperante no comer:

“Toda violação de princípio no comer e beber perde as faculdades de percepção, tornando-lhes impossível apreciarem ou darem o justo valor às coisas eternas. [...] Temperança em todas as coisas é indispensável à saúde e ao desenvolvimento e crescimento de um bom caráter cristão” Conselhos Sobre Saúde, p. 38.

“A principal finalidade do homem não é satisfazer o apetite. Há necessidades físicas a serem supridas; mas por isso é preciso que o homem seja dominado pelo apetite? Há de o povo que está buscando tornar-se santo, puro, refinado para que possa ser introduzido na sociedade dos anjos celestes, continuar a tirar a vida das criaturas de Deus, e fruir sua carne como uma iguaria? Segundo o Senhor me mostrou, esta ordem de coisas há de mudar-se, e o povo de Deus exercerá temperança em tudo” Christian Temperance and Bible Hygiene, p. 48.

Um grande abraço e até nosso próximo artigo.

Fonte: http://www.vidanatural.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=122:proteinas-na-alimentacao-vegetariana&catid=56:artigos-gerais&Itemid=204

Por Vanessa Rosa – Dia a Dia: uma mãe vegetariana

sábado, 24 de maio de 2014

Bolo de Casca de Banana – Desperdicio Zero

 

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Bolo de casca de banana

Ingredientes para a massa

- 3 ovos

- 1 xícara (chá) de suco de laranja

- 1/2 xícara (chá) de óleo de sua preferência

- 1 xícara (chá) de açúcar

- Gotas de baunilha líquida

- 1 xícara (chá) de casca de banana

- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo

- Canela em pó

- 1 colher (sopa) de fermento em pó
Para a cobertura

- 1/2 xícara (chá) de açúcar

- 1/2 xícara (chá) de água

- 2 bananas-nanicas picadas em rodelas
Preparo da massa

1 Bata os ovos, o suco, o óleo, o açúcar, a baunilha e as cascas de banana no liquidificador.

2 Acrescente a farinha de trigo e uma pitada de canela em pó.

3 Coloque o fermento e acomode a massa em uma fôrma - com furo no meio - untada com óleo ou margarina.

4 Asse em forno preaquecido por 40 minutos ou até a massa passar pelo teste do palito.
Preparo da cobertura

1 Derreta o açúcar em fogo baixo e acrescente a água.

2 Adicione a banana em rodelas e deixe a calda apurar um pouco.

3 Quando esfriar, coloque no bolo e sirva.

domingo, 18 de maio de 2014

Receitas Sem Glúten

Titulo: Pão De Batata Sem Gluten

Ingredientes:
2 batatas grandes, 2 colheres de sopa de margarina, 1 tablete de fermento biológico, 2 ovos, meia xícara de chá de água morna, 4 colheres de sopa de leite de soja em pó, 2 xícaras de chá de amido de milho, 1 xícara de chá de fécula de batata, 1 colher rasa de sopa de sal.

Modo de Preparo:
Cozinhar as batatas sem sal, amassar e esperar esfriar. Bater no liquidificador a margarina, o fermento, os ovos e a água morna. Em uma bacia, misturar as farinhas, o leite em pó e o sal. Colocar sobre a mistura de farinhas o que foi batido no liquidifivcador e a batata cozida. Misturar bem, até que se torne uma massa homogênea. Colocar sobre uma forma de pão untada, esperar cescer (aproximadanete 1 hora) e assar no forno a 230 graus até que o palito espetado saia limpo (aproximadamente 40 minutos)

Autor:Renata Pinheiro

Titulo:Pão Sem Glúten

Ingredientes:
03 gemas
03 claras em neve
01 colher (café) sal
01 copo de iogurte natural ou
(a mesma quantia de água)
01 xícara de farinha de arroz
01 xícara de fécula de batata
05 colheres (sopa) óleo
01 colher (sopa) fermento químico

Modo de Preparo:
Bater as gemas, iogurte ( ou água ), as farinhas e o óleo.
Acrescente o fermento químico, mexa, sem bater.
Acrescente as claras delicadamente.
Coloque a massa em forma de pão, ou em forminhas individuais.
Jogue por cima: castanha de caju, castanha do pará, amendoim, ervas finas, etc.
Pode rechear com frios, carne, legumes.
Leve para assar
= ou - 30´ forno alto.
PODE TROCAR A FARINHA DE ARROZ POR FUBÁ, fica igual uma broinha salgada.

Autor:Sílvia Viotto

Titulo:Pão De Aipim

Ingredientes:
PÃO:
1 xícara grande de aipim cozido e picado
1 xícara pequena de farinha de milho
2 xícaras pequenas de farinha de soja
1 xícara pequena de fécula de batata
2 ovos
2 xícaras de açúcar
1 colher (de chá) rasa de sal
2 colheres (de sopa) de margarina
300ml de leite
1 pacote de fermento biológico

Modo de Preparo:
Bater no liquidificador:
O aipim, os ovos, o açúcar, o sal, a margarina e o leite.
Após bater por uns 3 minutos despejar o conteúdo em uma bacia e juntar as farinhas e o fermento.
Mexer com uma colher até obter uma massa lisa e homogênea.
Untar uma forma de pão (média) e deixar crescer por mais ou menos umas 2 horas.
Após crescer assar em fogo médio por 1h15min ou dependendo do forno deixar mais ou menos tempo.

Autor:Inêz Verginia Giasson

Titulo:Panqueca 1

Ingredientes:
4 ovos
3 copos de leite
1 copo de creme de arroz
1 copo de maisena
1 colher de fermento em pó
2 tabletes de caldo de galinha
1 colher (sopa) de margarina

Modo de Preparo:
Bater tudo no liquidificador. Deixar descansar por algum tempo. Mexer e preparar as panquecas.

Autor:Acelbra-sp

Titulo:Panqueca 2

Ingredientes:
1 copo (requeijão) de amido de milho
1 copo (requeijão) de leite
1 ovo
1 colher (sopa) de queijo ralado
sal á gosto

Modo de Preparo:
Bater tudo no liquidificador e colocar porções da massa em frigideira ou panquequeira, levemente untada. A massa fica melhor se descansar por 1 hora. Recheio e molho de sua preferência.

Autor:Acelbra-sp

Titulo:Pizza De Liquidificador

Ingredientes:
3 ovos
1 xícara (chá) de leite
½ xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de creme de arroz
1 colher (sopa) de maisena
1 colher (sopa) rasa de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de Preparo:
Bater no liquidificador. A massa fica bem líquida. Dividir para duas pizzas. Forma untada e polvilhada. O recheio ou cobertura deve ser colocado por cima da massa mole.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Pizza De Liquidificador 2

Ingredientes:
1 ovo
1 xícara (chá) de óleo de girassol
2 xícaras (chá) de maisena
1 xícara (chá) de farinha de mandioca crua
1 ½ ou 2 xícaras (chá) de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó
sal à gosto

Modo de Preparo:
Bater tudo no liquidificador e assar em forma untada e polvilhada.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Pizza De Arroz

Ingredientes:
2 xícaras (chá) de arroz cozido
1 xícara (chá) de leite
1/2 xícara (chá) de óleo
2 ovos
2 colheres (sopa) de queijo ralado
l colher (sopa) de fermento em pó
1/2 lata de molho de tomate (para a cobertura)

Modo de Preparo:
Passe o arroz no processador ou esquente-o e passe-o pelo espremedor de batatas. Junte os ingredientes e por último o fermento. Leve ao forno pré aquecido em forma untada e deixe assar por mais ou menos 10 minutos para colocar o molho e a cobertura de sua preferência.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Pizza Suflê De Calabresa

Ingredientes:
2 xícaras de chá de creme de arroz (200 grs)
1 ovo inteiro
1 xícara de chá de leite
1/2 xícara de óleo
sal à gosto
1 colher de sopa cheia de fermento em pó

Modo de Preparo:
Misture os ingredientes. A massa fica mole, espalhe com a colher, uma camada fina.
RECHEIO:
250 grs de mussarela ralada
250 de lingüiça calabresa picada ou processada
4 tomates sem sementes e picados
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de azeite
50 grs de queijo parmesão ralado
3 ovos batidos
1 colher de chá de orégano
azeitonas verdes picadas
Misture todos os ingredientes, coloque sobre a massa e leve para assar.
Obs: fazer o recheio antes da massa

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Bolinhas De Atum

Ingredientes:
4 xícaras ( chá ) de batatas cozidas e amassadas;
1 lata pequena de atum;
1/2 colher ( sopa ) de cebola ralada;
Use como tempero, salsa picadinha, pimenta do reino, noz-moscada e sal a gosto;
3 ovos;

Modo de Preparo:
Junte as batatas, o atum, a cebola e os temperos e amasse bem. Acrescente as gemas e as claras em neve e misture bem. Enrole bolinhas e frite em óleo quente.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Rosquinhas De Neve

Ingredientes:
4 colheres (sopa) de açúcar refinado
100 de manteigaou margarina
1 pitada de sal
1 colher (café) de fermento em pó
1 colher (café) de essência de baunilha
1 ovo
polvilho doce que dêr para enrolar (250g)mais ou menos

Modo de Preparo:
Bata o açúcar com a manteiga e o sal.Junte o fermento e o ovo e vá acrescentando o polvilho até obter uma massa macia mas firme. Faça as rosquinhas, colocando em assadeiras untadas e leve ao forno médio. Devem ficar bem clarinhas.
(nota: se fizer bolinhas, de um leve achatamento com o garfo, elas ficam craqueladas quando assadas.

Autor: Maria Erene Dos Santos Reis Adrega Moura

 

Titulo: Massa Para Torta Doce 1

Ingredientes:
200 grs. de sequilho (Panco) batido no liquidificador
120 grs de manteiga (temperatura ambiente)
raspas de limão ou 2 colheres de chocolate em pó

Modo de Preparo:
Misturar tudo muito bem e com os dedos forrar uma forma de aro removível untada com manteiga ou margarina. Furar com o garfo e assar por 12 minutos. Deixar esfriar e colocar o recheio de sua preferência.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Massa Para Torta Doce 2

Ingredientes:
200 grs. de creme de arroz ou farinha preparada
3 colheres (sopa) bem cheias de maisena
150 grs de manteiga
5 colheres de água gelada
5 colheres (sopa) de açúcar
1 gema
raspas de limão ou 2 colheres de chocolate em pó

Modo de Preparo:
Misturar tudo e amassar bem. Abrir com os dedos forrando uma forma de aro removível untada com margarina. Furar com garfo e assar por 25 minutos.

Autor: Acelbra-sp

Titulo: Torta Salgada

Ingredientes:
5 ovos;
1 ½ xícara (chá) de óleo;
½ xícara (chá) de leite;
100grs. de queijo ralado;
2 xícaras(chá) de creme de arroz ou farinha preparada;
1 ½ colher (sopa) de fermento

Modo de Preparo:
Bater tudo no liquidificador e colocar metade da massa na assadeira untada e polvilhada. Colocar o recheio à gosto : frango com requeijão, atum, sardinha, queijo e presunto picadinho, etc. Na massa restante acrescentar 1 ovo e 50 grs. de queijo ralado. Bater e despejar por cima do recheio. Assar em forno quente.

Autor: Acelbra-sp

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dietas Vegetarianas e Longevidade: Vivendo Mais e Melhor

 Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas
Julho de 2007
www.nutriveg.com.br


Eliminar a carne do cardápio aumenta a longevidade? Esta pergunta vem sendo feita por leigos e cientistas há muitos anos. Enquanto há uma série de evidências que apontam para um “sim” como resposta, há muitas considerações a serem feitas antes que possamos afirmar isto com propriedade científica. Isto porque fatores não-dietéticos também afetam a longevidade e a qualidade de vida e com isso um estudo perfeitamente conclusivo ainda está distante de ser desenhado. No entanto, é vasta a quantidade de evidências, tanto históricas quanto científicas, que apontam no sentido de que a exclusão das carnes da dieta humana resulta em maior longevidade associada a uma melhora na qualidade de vida.


A observação de populações que vivem tradicionalmente com dietas compostas por pouca ou nenhuma carne nos traz boas referências de como uma dieta vegetariana pode aumentar a longevidade. Esse é o caso de populações rurais que vivem em áreas geograficamente isoladas que vão desde o Himalaia ao Equador, da Turquia à Rússia. Nessas populações, que adotam uma dieta com pouca ou nenhuma carne, a expectativa de vida ultrapassa facilmente a média de 70 anos atualmente observada nas populações ocidentais. Em contraste, outras populações rurais que apresentam um desenvolvimento tecnológico semelhante como é o caso dos esquimós e de outras comunidades na África, Groenlândia e Rússia apresentam uma expectativa de vida média de apenas 40 anos. Em todas estas podemos constatar um alto consumo de carnes.


A partir da observação de eventos históricos também é possível comprovar como a redução no consumo de carne afeta positivamente a saúde da população. As I e II Guerras Mundiais são um bom exemplo disto. Durante a I Guerra Mundial, cerca de três milhões de dinamarqueses foram forçados a eliminar quase que completamente a carne de suas dietas. O que se observou foi uma redução equivalente de 6.300 indivíduos por ano na taxa de mortalidade durante o período. Durante a II Guerra Mundial, foi a vez dos Noruegueses e Suecos serem colocados à prova. Durante a ocupação alemã que teve início em 1939, observou-se um declínio na taxa de mortalidade semelhante àquela constatada na Dinamarca durante a I Guerra Mundial. Com a normalização da oferta de alimentos a partir de 1943, as taxas de mortalidade retornaram às mesmas observadas antes do início da guerra.


A simples análise da composição das dietas onívora e vegetariana pode ajudar a explicar como a última promove maior longevidade. Entre os principais componentes das carnes encontramos a gordura, especialmente a do tipo saturada. Diversos estudos já relacionaram de maneira bastante direta o consumo excessivo de gordura saturada ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares e o diabetes. Alem das gorduras, alguns compostos presentes nas carnes, como os nitratos e a amina heterocíclica, já foram citados como sendo fatores causais para o câncer e muitos estudos já relacionaram o consumo de carne vermelha à incidência de cânceres de cólon, próstata e mama.


Não é difícil estabelecer uma relação entre um peso corporal apropriado e um aumento na longevidade e qualidade de vida. A constatação de uma menor prevalência de obesidade entre a população vegetariana é clara e nada surpreendente, haja vista por exemplo que uma porção de carne pode conter até o dobro de calorias se comparada a uma porção de um substituto da carne (como o tofu ou uma porção de vegetais protéicos). Outro nutriente cuja redução na ingestão pode afetar positivamente a saúde dos vegetarianos é o ferro. Enquanto uma ingestão adequada deste mineral é desejada para a manutenção da saúde, uma ingestão excessiva de ferro pode ter o efeito inverso. Por ser um elemento altamente oxidativo, o ferro é um eficiente produtor de radicais livres, que são compostos relacionados ao processo de envelhecimento e à incidência de doenças cardiovasculares. A carne é especialmente rica no ferro heme, um tipo de ferro que é até 10 vezes mais bem absorvido do que o ferro encontrado nos vegetais, aumentando assim em muitas vezes o seu potencial nocivo quando consumido em excesso.


Os hormônios, antibióticos, pesticidas e metais pesados presentes nas carnes somam-se à lista de fatores que afetam negativamente a saúde e consequentemente a longevidade daqueles que a consomem. Completam a lista as doenças causadas pela ingestão de vírus, bactérias e parasitas, que vão desde as infecções alimentares causadas por E. coli e Salmonella, a gripes aviárias e doenças da vaca louca e cisticercose. As doenças causadas pela ingestão de carne contaminada, muitas delas fatais, podem ser evitadas ou severamente reduzidas quando a carne é excluída do cardápio.


Havendo visto um pouco sobre os mecanismos pelos quais a ingestão de carnes pode reduzir a expectativa de vida e tendo notado alguns exemplos históricos, resta-nos finalmente saber o que nos dizem os estudos científicos sobre o impacto que a dieta vegetariana tem na longevidade. Estudos importantes apontam com resultados bastante significativos em favor da dieta vegetariana. Em uma análise de 6 grandes estudos prospectivos realizados na Europa e nos EUA, totalizando mais de 109.000 pessoas, podemos notar que quase a totalidade deles demonstra uma redução na mortalidade entre os vegetarianos quando comparados aos seus semelhantes onívoros. Um estudo britânico conduzido com 11.000 pessoas aponta para uma redução de 20% nas causas de morte e alguns estudos estadunidenses mostram números semelhantes. Um estudo conduzido na Itália aponta para uma redução de 45% na mortalidade entre vegetarianos e um estudo alemão realizado com 1.904 pessoas aponta para uma redução de 47% na mortalidade para mulheres vegetarianas e 56% para homens. Estes dados atestam para o poder que têm as dietas vegetarianas como instrumento de redução do risco de doenças e o conseqüente aumento na longevidade e na qualidade de vida.


No campo científico, resta-nos ainda investigar qual é exatamente o aspecto que impacta tão positivamente a saúde das populações vegetarianas: seria o estilo de vida que muitas vezes vem agregado a esta opção alimentar, seria a exclusão das carnes da dieta, seria a inclusão de mais vegetais na dieta (quando tiramos as carnes do cardápio, damos lugar para mais vegetais que trazem consigo elementos protetores como fibras, antioxidantes e fitoquímicos) ou seria ainda uma combinação destas três possibilidades? Para quem já é vegetariano, ou para aqueles que desejam se aventurar por este mundo de descobertas tão diversas (filosóficas, sociais, culinárias), as respostas a estas perguntas não são de maior importância nesse momento. Pois independentemente do tempo que levaremos para poder apontar quais são exatamente os mecanismos pelos quais uma dieta vegetariana oferece maior proteção, as evidências científicas demonstram que, por uma diversidade de fatores, esta opção alimentar, quando praticada com critério, reduz significativamente a mortalidade e o risco de doenças, resultando em um aumento na longevidade e uma importante melhora na qualidade de vida.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tofu, o Grande Bloco Branco: Saiba Como Enfrentá-lo

Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas
Agosto de 2009
www.nutriveg.com.br


O tofu é em alimento feito a partir dos grãos da soja e o seu processamento o torna um alimento mais concentrado e nutritivo do que o grão original. Ele é aquele bloco grande, branco e gelado que você já viu algumas vezes no supermercado e se perguntou como comê-lo. Apesar de não ser conhecido pala maior parte da população, o tofu é um excelente alimento, rico em ferro, cálcio, proteínas e outras substâncias de interesse à saúde, como as isoflavonas, por exemplo. Apesar de ser muito nutritivo, o tofu é um alimento de baixas calorias.


Mesmo com tantas vantagens, o tofu é vítima de grande preconceito e por isso a sua utilidade culinária é pouco conhecida. A verdade é que o tofu é um alimento muito versátil e saboroso, mas não é por isso que ele pode deixar de receber atenção no preparo. O tofu não deve ser confundido com um queijo branco (queijo minas), que pode simplesmente ser cortado e consumido como se apresenta. Apesar de ele ser perfeitamente saudável se consumido dessa forma, ele não tem sabor próprio e por isso precisa ser temperado. Por causa da sua consistência peculiar, o tofu pode ser preparado de diversas e deliciosas maneiras. Ele tem a propriedade de adquirir o sabor de qualquer alimento ou tempero com os quais divida a receita. Aprenda a conhecê-lo e logo ele se tornará o seu alimento favorito. Pode ter certeza que tanto as suas receitas quanto a sua saúde serão imensamente enriquecidas com a adição desse alimento ao seu cardápio.


Sendo assim, finalmente é chegada a hora de conhecê-lo. Mas, antes disso, você precisa perder o medo que sente por ele. Logo você, uma pessoa tão corajosa, não vai ter medo de um monte de grãos de soja processados, vai? Vamos lá, coragem! Para ajudar, seguem algumas dicas para você enfrentar o “grande bloco branco”:


1. Identifique a origem do seu medo. As possibilidades mais prováveis são as seguintes:
a) Você teme acostumar-se com o seu uso e não conseguir encontrá-lo quando estiver viajando em alguma cidade distante.
b) Você teme que, por ser um alimento que reúne características que previnem a ocorrência de doenças crônicas e degenerativas, o tofu possa prolongar a sua vida de forma que você viverá mais do que o/a seu/sua companheiro/a e você não deseja vê-lo partir antes de você. Saiba que você pode persuadir a sua cara metade a enfrentar o grande bloco branco junto com você.
c) Você teme que, ao comer muito tofu, se sentirá compelido a participar de alguma seita reservada a pessoas estão associadas ao consumo de alimentos pouco convencionais.
Caso você não se enquadre em nenhuma dessas categorias, procure meios que ajudem a identificar a origem da sua fobia. Isso é essencial para que você possa progredir para o próximo passo.


2. Escolha o tipo de tofu mais adequado ao seu nível de preparo. Você vai descobrir que o tofu vem em diferentes tamanhos, embalagens e consistências: 400 g, 500 g, blocos enormes de 1 kg, sacos plásticos, caixinhas, mole, quase mole, duro, muito duro, seco, defumado... Isso já torna as coisas bem mais fáceis, não é? Nesse momento, você começa a notar que são bastante grandes as possibilidades de haver afinidade entre vocês. Mas vá com calma. Comece com os de consistência mais dura, que desmancham menos durante o preparo e servem para substituir as preparações com as quais você já está mais familiarizado.


3. Abra a embalagem e toque nele (essa é a minha parte favorita). Atenção, esse é um momento crucial na relação Você está indo bem até aqui: conheceu-o e levou-o para casa achando que podem ser felizes juntos. Mas esse é o seu primeiro momento de verdadeira intimidade com o alimento e, como acontece no início de qualquer relacionamento, pode ser um momento decisivo. Já que ele se limita a colocar-se à sua frente de maneira fria e pálida, cabe a você aproximar-se dele. Acredite, vocês têm tudo para serem felizes juntos. Você descobrirá que ele, na verdade, é muito agradável, versátil, macio e úmido.


4. Experimente-o de formas diferentes (na verdade, é essa a minha parte favorita).O tofu pode ser grelhado, frito, assado, pode ser amassado, batido, liquidificado, fatiado. Tempere-o como preferir. Não é necessário qualquer manual de instruções. Tenha em mente que a sua versatilidade está não apenas nas transformações que a sua consistência proporciona, mas também na sua aptidão a receber todos os tipos de temperos.

Experimente-o com os temperos mais simples e também com os mais exóticos. Faça dele o ingrediente principal dos seus pratos mais elaborados e também dos lanches mais simples. Simplesmente amasse-o e acrescente azeite e ervas e estará pronto o recheio dos sanduíches que você levará para o trabalho ou para o passeio. Corte-o em pequenos cubos e tempere com molho shoyu e você terá o complemento ideal para o seu jantar ou piquenique.


Logo você constatará que não consegue mais parar de pensar em comê-lo, seja em casa, no trabalho, na rua, nas festas, no carro, no gramado... Jamais uma refeição parecerá completa sem a presença dele. Pesquise os muitos livros de receitas que ajudarão a apimentar a relação entre vocês. Quando se trata do tofu, as possibilidades são infinitas!